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 Imaginação poética

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MensagemAssunto: Imaginação poética   Imaginação poética Icon_minitimeSex Dez 14, 2018 11:25 pm

A força da palavra
tem um fluxo natural
seguindo um curso incerto
com origem e final

Pra começar esse tópico precisava de material próprio, mesmo que curto. Seguindo a ideia do título "Imaginação poética", até o jogo de xadrez, por detrás dos maçantes e inúmeros cálculos de possibilidades e variações, pode encontrar uma visão poética. O tema jogo é de uma guerra estratégica, com ameaças, defesas, capturas e o inescapável xeque-mate. Então a visão é dramática, mas eu vejo um exemplo no filme O dono do jogo, um trecho de 25 segundos apenas (de 25:25 a 25:50).



Postarei aqui mais produções minhas e algumas de outros autores que gosto também.
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MensagemAssunto: Re: Imaginação poética   Imaginação poética Icon_minitimeSab Dez 15, 2018 4:17 pm

Memória
de Carlos Drummond de Andrade
(do livro Claro Enigma)

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Um dos motivos pra eu ter escolhido esse poema é, bem tendencioso, ao relê-lo, lembrei de um antigo poema meu: a estrutura de três versos e a mesma rima em todas as estrofes, e também o tema um tanto pessoal. Um dos únicos que fiz e decorei. Ele não tem título ainda.

Eu preciso
não dispenso
também não faço questão.

Sou narciso
tenho senso
sou assim por vocação.

No paraíso
quão imenso
seria meu coração.

Teu sorriso
é tao intenso
repleto de emoção.

Sem juízo
eu não penso
meto-me em confusão.

Te batizo
fico tenso
quase perco a ação.
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MensagemAssunto: Re: Imaginação poética   Imaginação poética Icon_minitimeDom Dez 16, 2018 10:41 am

O que me chamou mais atenção neste poema, que é também uma narração, foi a primeira vez que ouvi a declamação interpretativa de Rolando Boldrin.



Balada Negra
de Vinícius de Moraes
Rio de Janeiro , 1935

Éramos meu pai e eu
E um negro, negro cavalo
Ele montado na sela,
Eu na garupa enganchado.
Quando? eu nem sabia ler
Por quê? saber não me foi dado
Só sei que era o alto da serra
Nas cercanias de Barra.
Ao negro corpo paterno
Eu vinha muito abraçado
Enquanto o cavalo lerdo
Negramente caminhava.
Meus olhos escancarados
De medo e negra friagem
Eram buracos na treva
Totalmente impenetrável.
Às vezes sem dizer nada
O grupo eqüestre estacava
E havia um negro silêncio
Seguido de outros mais vastos.
O animal apavorado
Fremia as ancas molhadas
Do negro orvalho pendente
De negras, negras ramadas.
Eu ausente de mim mesmo
Pelo negrume em que estava
Recitava padre-nossos
Exorcizando os fantasmas.
As mãos da brisa silvestre
Vinham de luto enluvadas
Acarinhar-me os cabelos
Que se me punham eriçados.
As estrelas nessa noite
Dormiam num negro claustro
E a lua morta jazia
Envolta em negra mortalha.
Os pássaros da desgraça
Negros no escuro piavam
E a floresta crepitava
De um negror irremediável.
As vozes que me falavam
Eram vozes sepulcrais
E o corpo a que eu me abraçava
Era o de um morto a cavalo.
O cavalo era um fantasma
Condenado a caminhar
No negro bojo da noite
Sem destino e a nunca mais.
Era eu o negro infante
Condenado ao eterno báratro
Para expiar por todo o sempre
Os meus pecados da carne.
Uma coorte de padres
Para a treva me apontava
Murmurando vade-retros
Soletrando breviários.
Ah, que pavor negregado
Ah, que angústia desvairada
Naquele túnel sem termo
Cavalgando sem cavalo!

Foi quando meu pai me disse:
- Vem nascendo a madrugada…
E eu embora não a visse
Pressenti-a nas palavras
De meu pai ressuscitado
Pela luz da realidade.

E assim foi. Logo na mata
O seu rosa imponderável
Aos poucos se insinuava
Revelando coisas mágicas.
A sombra se desfazendo
Em entretons de cinza e opala
Abria um claro na treva
Para o mundo vegetal.
O cavalo pôs-se esperto
Como um cavalo de fato
Trotando de rédea curta
Pela úmida picada.
Ah, que doçura dolente
Naquela aurora raiada
Meu pai montando na frente
Eu na garupa enganchado!
Apertei-o fortemente
Cheio de amor e cansaço
Enquanto o bosque se abria
Sobre o luminoso vale...
E assim fui-me ao sono, certo
De que meu pai estava perto
E a manhã se anunciava.
Hoje que conheço a aurora
E sei onde caminhar
Hoje sem medo da treva
Sem medo de não me achar
Hoje que morto meu pai
Não tenho em quem me apoiar
Ah, quantas vezes com ele
Vou ao túmulo deitar
E ficamos cara a cara
Na mais doce intimidade
Certos que a morte não leva:
Certos de que toda treva
Tem a sua madrugada.

Fonte: http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/poesia/poesias-avulsas/balada-negra
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MensagemAssunto: Re: Imaginação poética   Imaginação poética Icon_minitimeQua Dez 26, 2018 10:36 pm

Esse eu postei no antigo Espaço RPG. Eu escrevi na faculdade, em 2007, antes de desistir do curso de engenharia mecânica. Ele começou com alguns versos aparentemente aleatórios, mas a ideia que se formou são as imagens e sensações de um lobisomem se transformando. Gostei do resultado. Sem título ainda.

À noite na praia
Eu vejo a lua
Eu sinto a água
Meu peito estufa
Quente abafado
Eu piso na rua
O corpo explode
É sangue e luta
Eu busco em alarde
Um pulso que pulse
Sujeito covarde
Que mate ou me cure
Alguém que abale
Meu mundo algoz
Enfrente e desabe
Esse mundo atroz
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MensagemAssunto: Re: Imaginação poética   Imaginação poética Icon_minitimeQua Jan 16, 2019 2:34 am

Como prometi, segue um poema do Poeta que estudei bastante para escrever as minhas poesias. porque antes eram muito espontâneas devido ao jeito de falar da personagem Erulindya no antigo Espaço RPG... Então um moderador de lá me indicou para ler e fui pesquisar para aprender...

TROPICALISTA, 1999

Uma antropofagia, até tardia,
tornou a nossa música salada
de fruta, nacional ou importada,
naquela tropicália de alegria.

Sessenta foi a década do dia:
solar, viva na cor, iluminada.
Criou-se como não se cria nada.
Valia tudo e tudo, então, valia.

Caetano, Gil, Mutantes, circo e pão.
Modernantiga guarda, esquerdireita.
Barroco'n'roll. Mambossa. Rumbaião.

Eu era adolescente, e, certa feita,
senti num festival que uma canção
é letra, e tudo nela se aproveita.


In: MATTOSO, Glauco. Paulisseia ilhada: sonetos tópicos. São Paulo: Ciência do Acidente, 1999.

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