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 Enggin (Raphael)

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Paulo
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MensagemAssunto: Enggin (Raphael)   Sab Jul 09, 2016 3:32 pm

O planeta ficou em ruínas e foi abandonado pelos androides depois do massacre. Hoje é utilizado por fugitivos, para contrabandos e outras atividades ilegais. As pessoas inocentes que vivem aqui é por não terem como sair do planeta. Mas quem consegue sobreviver num lugar desses permanecendo inocente? De alguma forma ou você termina morrendo ou se corrompendo.

Geralmente nenhum movimento ou sinal de vida será visto pelas ruas em ruínas. Qualquer tipo de saqueador permanecerá escondido até o momento de atacar sua vítima. E assim, ninguém está a salvo, nem os próprios salteadores. Comida e água potável estão escassos, saneamento básico e socialização pareciam itens de contos fantásticos de um mundo utópico.



Treze anos após o incidente, algumas pessoas acharam coragem para tentar uma vida menos indigna, sem precisar se esconder como ratos, mas vivendo afastados das ruínas das construções, de onde se concentra a sujeira.

Enginn encontra-se numa pequena casa afastada alguns quilômetros dos edifícios em pedaços, onde vivem uma senhora, uma garota e uma criança. Nas últimas visitas que ele lhes fez, a mulher se deu ao luxo de esticar as pernas do lado de fora, enquanto as crianças caminharam tranquilamente em volta da casa.



Enginn fazia alguns ajustes e manutenções em si mesmo, conforme havia aprendido, mas aproveitava a estadia no planeta para visitar um velho amigo e fazer ajustes com mais frequência, sem precisar chegar ao limite e constatar problemas. Perceber a cena toda o comoveu de alguma forma, enquanto se programava para sair na manhã seguinte visitar seu amigo.
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Arvedui
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MensagemAssunto: Re: Enggin (Raphael)   Sab Jul 16, 2016 9:42 am

O androide estava imerso em sua automanutenção quando um suave e morno raio solar lhe tocou os braços. Seus circuitos ultratecnológicos e sua programação de consciência lhe forneceram uma sensação agradável àquele toque de luz, forçando-o a contemplar o sol que se punha lânguido e fosco. Vislumbrou também a senhora e suas crianças, que viviam em situação extremamente precária, mas permitiam-se um momento de contemplação para apreciar a bela paisagem que o planeta ferido ainda conseguia proporcionar, apesar de tudo.

"Esse mundo está moribundo. Mas os humanos ainda acreditam nele, os humanos ainda se deleitam com ele."

Concluindo seus últimos ajustes, o androide ergueu-se silencioso e foi para fora do pequeno barraco, observar a algaravia das crianças que, apesar da constante luta com a fome e condições precárias de vida, transpareciam uma felicidade que Enggin considerava sem razão. Que motivos aquelas pessoas tinham para sentir o mínimo de felicidade que fosse? Não lhe parecia plausível. Mas, independentemente do lugar em que estivesse, ou das condições com que se deparasse, sempre haveria, entre os humanos, esse tipo de sentimento.

Por diversas vezes o exterminador já havia ponderado se essa sensação de felicidade que alguns humanos experienciavam mesmo em condições absolutamente pouco propícias para tanto não seria algum tipo de ópio mental, uma defesa que a própria mente criaria contra o horror da realidade. Jamais conseguia chegar a qualquer conclusão, obviamente. Sua própria mente funcionava de forma muito dessemelhante à de um ser humano. E se assim fosse, matar humanos seria, de fato, um "presente" para essas criaturas miseráveis, sem grandes perspectivas de futuro, embora seus cérebros confusos parecessem alimentar esperanças em sentido contrário.

"Não, creio que há algum detalhe que ainda não compreendi. Apesar da aparente simplicidade, creio que os humanos são muito mais complexos do que qualquer um de nós, máquinas, pode conceber. Ainda não será hoje que matarei um humano...

De pé à porta do pequeno casebre, o androide manteve-se silente observando o comportamento da mãe e das crianças, enquanto o sol baixava vagaroso, deixando para trás apenas um rastro rosa no horizonte e a sua frente uma noite escura que prometia ser tão perigosa quanto qualquer outra noite. Seus olhos faziam a leitura do terreno enquanto seus mecanismos de percepção extremamente aguçados tomavam nota de todos os pequenos sons que captava, confrontando-os com seu próprio banco de dados, na tentativa de detectar quaisquer ameaças. Ele, caçador, era também caça. Sabia que se permanecesse tempo demais ali colocava em risco os humanos, mas imaginava que teria algum tempo. Desde seu último encontro com alguma das máquinas - do qual escapara por um fio-, conseguira sumir de forma eficiente e estava experimentando uma boa temporada de paz. Levaria tempo até que algum dos filhos-da-puta o rastreasse até ali. Assim esperava.

- Tenho algumas provisões comigo, gostaria de dividi-las com todos vocês. - sua voz soou como trovão no silêncio moribundo do lugar.

OFF:

Eu supus que estávamos no fim do dia (por conta das imagens rs). Se não for o caso, posso editar o post.

Legenda:
"pensamentos"
Falas

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Última edição por Arvedui em Qui Jul 21, 2016 7:12 pm, editado 1 vez(es)
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Paulo
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MensagemAssunto: Re: Enggin (Raphael)   Seg Jul 18, 2016 4:05 pm

Oh meu, querido. - A voz feminina tinha o timbre trêmulo pela falta de força para emiti-las, causada por uma idade avançada. Mas demonstrava tranquilidade, em contradição às condições da vida naquele planeta. - Você é tão generoso.

Ela inclinava o corpo pra frente e forçava seus braços contra os braços da cadeira para se levantar. Apesar do esforço, era satisfação que figurava em seu rosto, e seus movimentos pareciam até sutilmente mais ágeis. Tantos sinais de contradição em criaturas tão frágeis.

Nós não teríamos nenhuma chance neste lugar se não fosse você, Ende. - Marlene te chamava assim, pois era assim que as crianças te chamavam. Aparentemente, Dora, que tinha 4 anos, não era capaz de pronunciar muitas palavras corretamente ainda. Assim, Sônia e Marlene também utilizavam essa forma para o seu nome.

Sônia, a garotinha de 12 anos, se aproxima de Enginn correndo, com a irmãzinha logo atrás, e gritando: Tio Ende, tio Ende! Ela para do seu lado, pegando no seu braço e sacudindo, enquanto Dora corre direto e abre os braços, você automaticamente se abaixa para abraçá-la e ela pula, se agarrando em você. Enquanto isso, Sônia continua te chamando: Tio Ende, olha o que Dora encontrou. Estende a mão e te mostra algo em suas mãos pequenas:

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Arvedui
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MensagemAssunto: Re: Enggin (Raphael)   Qui Jul 21, 2016 7:09 pm

O androide experimentava sensações - se é que poderia chamar assim - bastante peculiares quando estava naquele ambiente. Era tratado por aquelas pessoas com aquilo que seus nervos mecânicos lhe diziam ser "carinho", algo que os humanos prezavam demasiado, algo que, inclusive, alguns deles passavam uma vida inteira - por mais curta que fosse - procurando desesperadamente. Ainda sim, suas respostas somáticas eram confusas, seus circuitos pareciam não saber como reagir bem àquele tipo de tratamento, embora após os anos de observância dos hábitos humanos, tenha conseguido reproduzir atitudes medianamente aceitáveis.

"Afinal de contas, foi para toda essa merda que fui criado. Conquistar a confiança e matar...

Assim, quando as crianças o trataram daquela forma, o sorriso veio fácil, assim como o abraço e toda a afetividade. A quantidade de operações lógicas envolvidas nesse tipo de gesto era assombrosa. Um simples cálculo errado e o androide aplicaria força demais no abraço, transformado aquela criança rosada e serelepe em uma pasta de ossos moídos e entranhas. Os filhos-da-puta o haviam construído e programado bem, isso era inegável. Tão bem que ele saíra quase a cópia perfeita de um humano, inclusive com sensações peculiares...

Não era, afinal, júbilo aquilo que estava sentindo ao brincar com as crianças? A merda toda fora muito bem-feita, sim... até demais. Poderia exterminar aquela velha e as duas crianças mais rápido do que um olho humano podia piscar, mas não o fazia, contrariando todo o algoritmo fonte.

"Terei eu sido um erro de programação, ou algum escroto modificou meu código-fonte propositadamente?

Não era a primeira vez que esse pensamento percorria seus circuitos lógicos. Contudo, se assim o fosse, Enginn precisaria admitir que havia outras máquinas as quais se poderia considerar "pró-humanos", e isso era estranheza demais para um dia só. Que se fodessem então. Havia um resto de dia de paz e, talvez, uma noite fria de pensamentos e reflexões logo ali adiante. Aproveitaria seu tempo com aquelas pessoas.

- Vamos ver o que tem aí pra mim, Sônia.

Pegou nas mãos o anel que a garota lhe mostrava, curioso. A princípio, não detectou qualquer particularidade nele. Passou a vasculhar em seu banco de dados alguma referência àquele item em particular, na tentativa de identificá-lo.

- É um bonito item. E parece bem conservado. De quem será? - falou enquanto não obtinha uma resposta do banco de dados. Paralelo a isso tudo, uma preocupação adicional lhe surgiu: se aquele anel fora encontrado naquela localidade, provavelmente o dono do artefato estivera por ali. Quem seria esse dono? Quais seriam suas intenções? Levando em conta a normalidade daquel mundo, essas intenções poderiam não ser as mais altruístas...

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