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 O Guarda da Cidadela [Capítulo I - Lissë/Thalion]

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Arvedui
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MensagemAssunto: O Guarda da Cidadela [Capítulo I - Lissë/Thalion]   Dom Dez 16, 2012 5:37 pm

Minas Tirith, Março do ano 219 da Quarta Era do Sol

A cidade branca nunca estivera tão branca e tão bela. Alguns diziam que a cidade parecia envelhecer junto com o Rei mas, assim como o monarca, a ficava cada dia mais bela. E Eldarion era belo, mesmo em idade muito avançada. Seus cabelos, hoje brancos como a neve, pareciam refletir a brancura das paredes de Minas Tirith. Dizia-se que o poder do Rei era tamanho que nem mesmo daqui a mil gerações, Minas Tirith cairia. O que Elessar deixou, Eldarion multiplicou. Filho de um senhor dos Dúnedain e com sangue dos mais poderosos elfos correndo em suas veias, o Rei era realmente um homem poderoso. Tão poderoso que, durante os 100 anos de seu reinado, não houve uma sequer batalha no Sul.

Mas Thalion, o guarda da cidadela, não era vivo quando Minas Tirith quase caiu, portanto, sua mente não se preocupava com história de guerra e terror. A paz já imperava no Sul há tanto tempo, que as pessoas simplesmente não se preocupavam mais com a possibilidade de uma nova sombra. Os soldados eram treinados, mas raramente utilizados. Os portões eram fortificados, mas geralmente permaneciam abertos o tempo inteiro. Suprimentos eram sempre estocados no inverno, apenas para serem consumidos sem preocupação, durante a primavera. Thalion, guarda da cidadela, só conhecia a fartura, a bonança e a paz.

Exceto por aqueles sonhos.

Noite passada, novamente, seus sonhos o haviam atormentado. Tudo como sempre: a senhora com olhos de gelo, a urgente sensação de que ela precisaria de Thalion. Mas por que uma mulher tão bela e poderosa precisaria de um simples guarda da cidadela? Nunca fazia sentido... nunca.

O guarda caminhava cabisbaixo até o portão da cidadela. Hoje seu turno seria durante o dia e, provavelmente, seria um longo dia, por conta da noite mal dormida. Ainda sim, o guarda subia o caminho que levava ao posto de trabalho com um sorriso no rosto, cumprimentando a todos por onde passava, sempre simpático e receptivo. Ali, nos arredores da Cidadela, Thalion era querido por todos, seu carisma cativava até os mais sisudos. Não havia quem não gostasse do rapaz.

Vindo da direção oposta, outro homem aproximava-se do portão juntamente com Thalion. Seu companheiro de guarda para hoje.

- Thalion! Que bom vê-lo! Parece que vamos fazer a guarda juntos hoje, hein? - gritou o homem chamado Derufin, que Thalion pouco conhecia, já que não havia feito muitas sentinelas ao lado dele.

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MensagemAssunto: Re: O Guarda da Cidadela [Capítulo I - Lissë/Thalion]   Dom Dez 16, 2012 5:58 pm

Thalion respondeu com cortesia, olhando nos olhos do homem à sua frente:

- Bom dia, guarda Derufin. Que o dia seja produtivo para nós dois. Se bem que felizmente não há muito com o que se preocupar por aqui. Nosso Reino está sempre em paz. Por Elbereth Gilthoniel, que tudo permaneça na mesma paz até que o Sol se ponha pela última vez no Oeste em dias futuros que não viveremos.

Com estas palavras dirigiu-se ao seu posto, olhando maravilhado - pela qual vez? - para as planícies que se estendiam em frente aos majestosos muros de sua amanda Cidade Branca. Olhou também para o imponente Mindolluin, que gentilmente oferecia suas faces para que nelas repousasse a mais bela das cidades dos homens. Como Thalion amava seu reino. Olhar para sua beleza fazia com que os pensamentos sobre os sonhos recentes fossem colocados em um canto escondido de sua mente, um canto de onde não pudessem incomodar. Mas, assim que a mente ficava desprevenida, eles voltavam

Aqueles olhos... tão magníficos, pertencentes a uma verdadeira rocha em forma feminina...

Mas seria ela realmente uma rocha? Talvez não fosse, pois não conseguia suportar tanto sofrimento.

E uma pergunta insistente martelava na mente de Thalion: Quem, em nome do Oeste, era ela?
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MensagemAssunto: Re: O Guarda da Cidadela [Capítulo I - Lissë/Thalion]   Qua Dez 19, 2012 7:59 am

O homem soltou uma risada gostosa ao ouvir as palavras de Thalion:

- Hohoho! Certamente! O Rei Eldarion, e seu pai antes dele, foram os grandes responsáveis por essa paz. E o jovem Gildarion* parece ter a mesma sabedoria do pai e do avô, será também um grande Rei. Não vejo como a paz de Minas Tirith poderia ser abalada - coçou a grande barriga por baixo da armadura, e seguiu Thalion até seu posto.

Por alguns minutos o rechonchudo Derufin ficou apenas contemplando a bela cidade com seu companheiro de guarda. Até que quebrou o silêncio:

- Por falar no Rei, saiu ontem a notícia de que este ano a corte mudará novamente para Fornost. O rei passará os próximos dez anos no Norte. - o homem parecia maravilhado ao falar de Fornost - Dizem que a cidade está três vezes mais bela do que era nos tempos do Reino Antigo... eu gostaria muito de vê-la. Você conhece Fornost?

Provavelmente, nenhum deles ali conhecia, haja vista que não era comum os guardas da cidadela deixarem Minas Tirith, a não ser a pedido do próprio Rei. Embora, obviamente, devido à importância da corporação, alguns deles sempre acompanhassem a corte até Fornost, para fazer a segurança de pontos críticos no entorno do palácio real e dos aposentos do Rei. Embora fosse uma precaução aparentemente desnecessária: Eldarion era tão amado por todos quanto fora seu pai Elessar. As pessoas o veneravam, falavam dele não como um rei, mas como uma figura paterna, sábia e justa, que sempre estaria ali para ouvi-los e resolver seus problemas. Aliás, era comum as audiências de Eldarion durarem horas a fio e todos, do mais alto nobre ao mais simples camponês, tinham oportunidade de falar diretamente ao Rei sobre seus problemas e expectativas.

Enquanto os dois conversavam, várias pessoas começaram a chegar à entrada da cidadela. Hoje era dia de audiência com o Rei e o papel dos guardas do portão era recolher todas as armas (não por medo de que alguém pudesse atentar contra o Rei, mas por respeito ao nobre salão dos reis, pois arma nenhuma, poderia ser brandida ali dentro). Thalion viu-se extasiado, pois cabia também à guarda da cidadela ficar ao lado do Rei durante as audiências. Era a primeira vez que o jovem guarda acompanharia uma audiência real.

- Hunf! Parece que hoje vai ser demorado... veja quanta gente! - dizia o emburrado Derufin enquanto jogava mais tralha na pilha de objetos que não poderia entrar no salão real.

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MensagemAssunto: Re: O Guarda da Cidadela [Capítulo I - Lissë/Thalion]   Qua Dez 19, 2012 9:08 pm

Thalion não conhecia Formost, apenas ouvira falar do esplendor daquela cidade reconstruída. Sempre tivera curiosidade de conhecê-la, mas apenas a passeio, visto que seu coração moraria sempre onde se erguia a majestosa Torre Branca de Ecthelion. Minas Tirith foi, é e, esperava ele, sempre seria seu lar. Porém a notícia de que o Rei iria para o Norte deixou-o um pouco dividido: seguiria seu rei mesmo que ele resolvesse viver entre os desertos desolados de Mordor, mas deixar a Cidade Branca era-lhe penoso.

- Com relação à paz, você tem razão, camarada. Não vejo mada capaz de nos incomodar de novo. Mas a respeito das notícias sobre Formost, confesso que fui pego desprevenido. Não sabia que o Rei iria para o Norte e, para falar a verdade, mesmo estando curioso para ver como é por lá, já que nunca vi pessoalmente, não desejo deixar minha cidade, a não ser por convocação do próprio rei Eldarion.


Dando mais uma olhada em direção aos campos de Pelennor, o jovem guarda seguiu seu companheiro até seu lugar ao portão da Cidadela. Vendo que ele reclamava, Thalion o repreendeu com toda a gentileza antes de seguir até seu próprio posto:

- Não reclame, guarda Derufin, Guardião da Cidadela, defensor do Rei! Há muitos lá fora que dariam um olho para estar em seu lugar. Eu mesmo, quando era garoto, era um deles. Então não há tarefa que me seja por demais cansativa ou enfadonha. Dê valor à honra que lhe é concedida e trate de não reclamar! Agora vou até meu posto - acrescentou com alegria - bem ao lado do Rei! Com licença. E bom trabalho!


Virou-se para entrar no grande Salão, onde estava Eldarion. O caminho até a porta era muito mais belo do que foi nos tempos em que Denethor era Regente. graças ao capricho e dedicação dos Anões de Erebor e dos poucos elfos que tiveram tempo de auxiliar na reconstrução da cidade após a guerra contra Sauron. A Árvore Branca, agora viva e jovem, crescendo ao lado de um belo lago de águas azúis e cristalinas, erguia seus galhos em saudação a todos os que se aproximavam, lembrando a todos que o Oeste sempre se lembraria deles com amor. Saudando a bela descendente de Nimloth com uma respeitosa reverência, Thalion seguiu adiante, com a cabeça erguida, os olhos claros brilhando com alegria. Dentro de instantes estaria ao lado de seu rei!
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MensagemAssunto: Re: O Guarda da Cidadela [Capítulo I - Lissë/Thalion]   Qui Dez 20, 2012 9:23 pm

Thalion entrou no silencioso salão real, deixando para Derufin a tarefa de continuar filtrando os objetos proibidos na audiência. Ao adentrar o local, Thalion percebeu que, além dele, havia apenas mais outros dois guardas da cidadela, ambos às portas do salão. A posição de Thalion, logicamente, seria ao lado do trono, junto com outro guarda, provavelmente Derufin. Essa era a disposição dos guardas durante as audiências.

Ao assumir seu posto, Thalion pode finalmente dar uma boa olhada ao redor. A majestade e o porte daquele local rapidamente tomaram sua mente. Para alguns guardas aquele era, realmente, um trabalho enfadonho. Ficar horas a fio de pé, ouvindo camponeses reclamando de divisão de fronteiras em suas plantações, ou dos estragos causados pelo gado, dentre outras coisas menos interessantes podia ser um trabalho bastante sonolento.

Mas Thalion sabia: se seu Rei, com todas as preocupações de governar um reino dava-se ao trabalho de ouvir atentamente cada camponês como se fosse um monarca único, não seria ele, um simples guarda da cidadela, que faria o contrário.

Enquanto pensava nisso, o Rei adentrou o salão. Thalion ficou maravilhado ao vê-lo. Era inegável o poder de seu sangue élfico: mesmo em idade avançada, Eldarion não tinha barba, possuía olhos incrivelmente sábios, um sorriso perfeito e uma longa cabeleira branca e lisa. Era alto e, mesmo agora, após muitos e muitos anos de vida, erguia-se ainda ereto e musculoso. Parecia ter força ainda pra brandir uma espada e vestir uma armadura. Quando falou, sua voz mostrou-se potente e suave ao mesmo tempo:

- Bom dia, meus caros amigos. Como vão os trabalhos na guarda esses últimos dias? - e sorriu. Seu sorriso contagiou a todos ali, que imediatamente sentiam como se estivessem falando com um velho amigo, não com seu rei.

Eldarion então pousou seus olhos sobre Thalion. Seu rosto mostrou a compreensão e a lembrança:

- Olá, jovem Thalion. Lembro do dia em que o armei guarda da cidadela. Na ocasião, ouvi de você que este era seu maior sonho. Continua pensando assim, após todos esses anos?

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MensagemAssunto: Re: O Guarda da Cidadela [Capítulo I - Lissë/Thalion]   Sex Dez 21, 2012 8:49 pm

Thalion alegrou-se com as palavras do Rei, espantando-se pela enésima vez com o fato de ele recordar tão bem rostos e nomes. Realmente seu povo era-lhe muito querido.

Quando Eldarion saudou os guardas, todos responderam com cortesia, dizendo que felizmente ia tudo bem e que, pela graça do Oeste, seria sempre assim. O rei sorriu novamente para eles, concordando com suas palavras. AApós falar com os outros guardas, o monarca dirigiu-se especificamente a Thalion:

Citação :
- Olá, jovem Thalion. Lembro do dia em que o armei guarda da cidadela. Na ocasião, ouvi de você que este era seu maior sonho. Continua pensando assim, após todos esses anos?

Thalion, honrado pela saudação específica para ele, respondeu após uma reverência:

- Olá, rei Eldarion. Lembro-me com muita alegria deste dia. Realmente era meu maior sonho servir à Cidadela e a meu Rei, e assim será até o fim de meus dias. Mais uma vez agradeço-lhe a honra pois sei que, se não fosse pelo senhor, não a teria conseguido. Serei fiel a meu dever mesmo que uma nova sombra cubra esta terra.
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MensagemAssunto: Re: O Guarda da Cidadela [Capítulo I - Lissë/Thalion]   Dom Dez 23, 2012 7:25 am

Eldarion apenas sorriu em retribuição às palavras de Thalion. Novamente, pareceu que emanava daquele sorriso toda a luz que iluminava o salão dos reis. O rei então solicitou que Thalion ficasse ao seu lado, quanto então o jovem guarda assumiu a posição formal um pouco atrás e ao lado do trono real. Eldarion então ordenou que começasse a audiência.

Era exatamente como Derufin previra: não se tratava, realmente, de um grande divertimento. Eldarion fazia questão de ouvir atentamente TODOS os que vinham falar-lhe, o que consumia muito tempo. A maioria era de camponeses que traziam ao rei pequenas querelas aldeãs. Alguns nobres de feudos vassalos de Minas Tirith também pleiteavam a palavra com o Rei. Esses traziam assuntos teoricamente mais sérios, como divisas de reinos, extensão de terras e outros nós diplomáticos que Eldarion, habilmente, resolvia em meia dúzia de palavras certeiras.

Todavia, nem tudo fora apenas histórias entediantes de camponeses simples. Alguns camponeses trouxeram relatos de roubo de gado, invasão de terras, assassinatos. Outro deles chegou a falar abertamente sobre "orcs e coisas piores" perambulando em suas terras. Dizia-se que novamente saía fumaça de dentro das muralhas negras de Mordor, embora esse nome agourento não tenha sido pronunciado.

Thalion percebeu o quanto seus olhos estiveram fechados pela falsa sensação de segurança. Não estavam realmente seguros, nunca estiveram. Se os homens tinham direito a uma vida, certamente os servos do escuro também o tinham. E estavam vivendo, vivendo como sabia: assassinando, roubando e destruindo o que era alheio.

Assim o dia transcorreu, lento e moroso. Mas quando o sol já descia por detrás do horizonte, finalmente a audiência acabou. O rei parecia cansado e preocupado. Thaliou o ouviu dizer para algum dos nobres que o número daqueles relatos vinha crescendo dia após dia. O jovem percebeu claramente que o rei não estava alheio àquilo tudo. Uma sensação de insegurança cresceu em seu peito.

- Ei, garoto... vamos embora. Acabou nosso turno. - dizia a voz cansada de um entediado Derufin.


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MensagemAssunto: Re: O Guarda da Cidadela [Capítulo I - Lissë/Thalion]   Dom Dez 23, 2012 1:09 pm

Thalion, honrado como estava por assistir à audiência, escutava cada palavra dita, cada resposta do Rei, cada problema, como se ouvisse raras e belas canções élficas, tamanho era seu interesse por tudo o que ocorria em sua amada Gondor. Porém uma palavra despertou-o de sua alegria calma e sonhadora, uma palavra negra, terrível de se ouvir, carregada de um medo gélido: Mordor.

O jovem Guarda da Cidadela, assim como todos os presentes, abriu bem os olhos e apurou os ouvidos. Quantas histórias ouvira antes, sobre exércitos negros, destruidores como a grande Onda que arrasou a antiga e bela Númenor, postados bem diante dos portões de Minas Tirith, decididos a destruir tudo o que estivesse à sua frente. Orcs cruéis, orientais e sulistas com suas bandeiras vermelhas como sangue, gritos de morte, um terrível Senhor do Escuro entocado em sua torre na Terra Negra, comandando suas tropas contra tudo o que estivesse em seu caminho... quem hoje gostaria de ouvir falar sobre isso novamente?

Mas o rei Eldarion ouviu com calma. Apenas seus olhos refletiam de leve a preocupação que sentira. E ele de fato estava preocupado.

O resto da audiência mal foi acompanhada por Thalion, que ainda conservava o terror gélido causado pelas notícias trazidas sobre Mordor. Ao final, com o coração cheio de dúvidas, foi encontrar-se com Derufin, que continuava de mau humor.

- Você ouviu o que falaram sobre Mordor? - perguntou ele ao amigo - Parece que a Terra Inominada não vai mesmo nos deixar em paz. Quando pensávamos que a paz finalmente viera para ficar, descobrimos que nossos antigos temores novamente vieram nos assombrar. Creio que teremos o que fazer em breve, portanto você pode desfazer essa cara de tédio. Essa palavra talvez desapareça de nosso vocabulário se o que ouvi for mesmo verdade.
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MensagemAssunto: Re: O Guarda da Cidadela [Capítulo I - Lissë/Thalion]   Qua Dez 26, 2012 10:11 am

Derufin não ficou nem um pouco satisfeito com as palavras de Thalion. O jovem guarda da cidadela falava com sabedoria, mas ainda sim era um incômodo ouvir falar de Mordor. Muitos dos atuais habitantes de Minas Tirith haviam perdido entes queridos na Guerra do Anel e nos conflitos pontuais que a seguiram, durante os primeiros anos do Reinado de Elessar. Apenas com Eldarion é que se conheceu a verdadeira paz.

Agora, ouvir novamente esse nome agourento volteando as histórias, era desconfortável, para dizer o mínimo.

- É, eu ouvi, mas gostaria de não ter ouvido. Além do mais, nosso trabalho é guardar a cidadela, e somente a cidadela. Mordor é preocupação de outros. Prefiro afastar esse nome de meus pensamentos, principalmente agora, que estou com tanta fome - e deu um tapa na barriga proeminente, no mesmo instante em que seu estômago roncava.

Despediu-se de Thalion, tomando o rumo de casa. Thalion viu-se então sozinho, percorrendo as belas rus de Minas Tirith sob a meia-luz do sol que se punha. Em alguns pontos a cidade branca já estava envolta na penumbra. A pequena ruela por onde o guarda caminhava estava estranhamente deserta àquela hora do dia. Foi quando Thalion ouviu as vozes. Uma delas ela estranha, sibilada... como um silvo de serpente, falava baixo e tinha um som agudo desagradável, mas era perfeitamente inteligível. Thalion escutou claramente suas palavras. A outra, apesar de se assemelhar mais a uma voz "normal", não parecia tão clara e inteligível.

Citação :
- Nenhuma informação relevante - disse a voz como um silvo
- O que posso fazer? O Rei está sempre rodeado por guardas - respondeu a outra voz
- Dê um jeito. Ele precisa saber os próximos passos de Eldarion. - silvou secamente a voz de serpente
- Tudo bem, farei o possível. Dê-me um mês. E não venha mais à cidade, é imprudente. - censurou a voz normal.
- Lhe darei seu mês, e espero que após esse mês você tenha alguma informação que nos permita eliminá-lo - silvou novamente a voz desagradável

Infelizmente, era impossível, do local em que estava, divisar as figuras dos donos daquelas vozes. Apenas podia ouvi-las.

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MensagemAssunto: Re: O Guarda da Cidadela [Capítulo I - Lissë/Thalion]   Qua Dez 26, 2012 9:14 pm

Thalion, o mais silenciosamente possível, foi chegando perto do local de onde vinham as vozes mas continuou sem ver absolutamente nada além de dois vultos disformes. Seu coração ficou angustiado com a conversa que ouviu. Aqueles dois estavam tramando algo sinistro e, ao que parecia, seria um atentado contra o rei de Gondor. Isto não podia acontecer de forma alguma e, mesmo que o jovem Guarda da Cidadela morresse tentando, aquele plano jamais deveria ser levado a cabo. Aliás, mesmo que não fosse um atentado contra a vida de Eldarion, estava claro que era algo maligno.

- Vou impedir esses dois. Seja lá o que estiverem tramando, não passará de conversa.

Esgueirando-se sem fazer ruído e aproveitando que aqueles dois ainda sussurravam, Thalion foi até um pedestal onde estava apoiada uma tocha. Retirou-a de seu suporte e, em pensamento, clamou por Elbereth, implorando sua proteção. O que aquele jovem faria era uma loucura: enfrentar dois inimigos que poderiam ser muito superiores a ele em armas. Sabia muito bem que poderia cair em combate, mas o amor por seu rei falou mais alto. "Jurei que iria protegê-lo e assim farei"

Com a espada em punho e com a tocha na outra mão, virou-se na direção dos vultos e, com voz imperiosa, falou:

- Em nome do Rei, respondam-me quem são e o que tramam em locais escuros!

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MensagemAssunto: Re: O Guarda da Cidadela [Capítulo I - Lissë/Thalion]   Qui Jan 03, 2013 12:45 pm

A intenção de Thalion fora boa, muito boa, mas sua perspicácia não acompanhou a ligeireza de seus pensamentos. Logo que retirou a tocha do apoio, o rápido bruxuleio que as sombras geradas pelas chamas causou fez a foz de serpente parar imediatamente. Thalion ouviu o som de algo arrastando-se, como se um animal rastejante fugisse rapidamente.

Ao chegar à esquina onde a dupla de estranhos conversava, Thalion viu apenas um, e não dois homens. Falou suas palavras com autoridade, surpreendendo o estranho, que já parecia surpreso por conta da fuga rápida de seu interlocutor, o qual não pudera acompanhar. Agora entendia porque o homem da voz ofídica havia fugido rapidamente.

Contudo, aquele estranho não ficou parado. Já estava com uma longa adaga em punho, olhando para Thalion com olhos avaliativos.

- Meu nome não o interessa, muito menos meus assuntos. - falou quase num sussurro o homem que tinha a voz mais "normal", já saltando sobre Thalion, tentando cortar-lhe a garganta com a adaga.

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MensagemAssunto: Re: O Guarda da Cidadela [Capítulo I - Lissë/Thalion]   Qui Jan 03, 2013 8:56 pm

Thalion abaixou-se rapidamente para defender-se do golpe erguendo-se logo em seguida para atacar e desarmar seu oponente. Estava indignado consigo mesmo por não ter sido mais esperto. O homem de voz chiada, de quem o Guarda da Cidadela mais desconfiara, havia fugido e o Rei continuaria em perigo se não fosse capturado logo. Sua esperança estava em dominar e capturar este homem com quem lutava agora.

"Preciso vencê-lo e levá-lo até o Rei. Melhor um pássaro na mão que dois voando!"
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