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 A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]

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Arvedui
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MensagemAssunto: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Dom Dez 05, 2010 2:59 pm

Valfenda, 13 de Março – Ano 220 da Quarta Era

A noite estava fechada e carregada de nuvens negras fora do vale de Valfenda. Mas ali, graças à magia dos elfos, o céu estava limpo e estrelado, como se não existisse inverno ali. Valfenda possuía poucas construções além da Grande Casa onde viviam todos os elfos e visitantes do local. Detrás da Casa havia estábulos, forjas e armazéns. Nada mais.

A casa em si era enorme e, mesmo assim, estava sempre cheia. E sempre havia um quarto para mais alguém que chegasse em busca de conselhos ou descanso. Pois aquele ainda era um dos locais mais poderosos da Terra-Média. Os mais sábios estavam ali. A luz, o clima e o ar daquele lugar por si só eram curativos. Afastavam as tristezas e as dores da mente, bem como as feridas e marcas do corpo. E nos anos iniciais da Quarta Era os elfos encontraram a paz.

Mas encontraram também a tristeza, pois o que restava de seu povo estava, pouco a pouco, partindo por sobre o Mar. E aquela noite era uma noite de comemoração e despedida. No dia seguinte, um novo grupo partiria em viagem aos Portos Cinzentos para de lá atravessar o Mar e chegar às Terras Imortais em Valinor. Esse era o destino de todos os elfos.Alguns apenas adiavam a partida.

Lorie estava inquieta. A elfa não sentia ainda a vontade de partir para Valinor. Sabia que um dia teria de partir, mas não agora. No entanto, nos últimos anos, vários de seus amigos e parentes haviam feito a viagem. E amanhã isso aconteceria novamente. Para os elfos que ficavam, era sempre uma tristeza ver os demais partirem. Embora os mais sábios dissessem que as Terras Imortais eram um local de luz e beleza incomparáveis, os que nunca haviam visto essa luz eram sempre relutantes com a partida.

De qualquer forma, a noite era de festa em Valfenda. Um elfo muito alto, de cabelos num tom prateado e olhos muito negros aproximou-se de Lorie sorrindo. A elfa pode notar que apesar do sorriso, também havia tristeza naquele rosto pela partida de mais alguns amigos. Chamava-se Vëon. Ele tinha uma história triste, que poucos elfos comentavam. Era um artífice habilidoso e também um exímio espadachim. Acompanharia o grupo que ia partir amanhã, como guardião e protetor.

- É sempre uma pouco triste não? A partida dos nossos amigos. Por mais que saibamos que estão indo para um lugar belo, é triste vê-los indo embora.


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Heidi Cavalieri
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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Ter Dez 07, 2010 8:55 am

Mesmo com toda a tranqüilidade que Valfenda lhe trazia, alguma coisa sempre a deixava inquieta, com uma melancolia. Um aperto no coração, não sabe dizer ao certo o que era, mas sempre que estava prestes a acontecer uma viagem para a Terra dos Imortais, a elfa ficava assim, cabisbaixa, mesmo que não tentasse transparecer, uma parte do seu coração iria navegando com seus amigos.

Todos, pouco a pouco vão partindo, mas ainda não estava na sua hora, ou talvez apenas relutasse em deixar Valfenda, esse lugar mágico, e mesmo depois de muito tempo, ela encontrara a sua paz. Ali era o seu lar, e a idéia de ter que abandonar o seu lar, não era nada agradável ao seus olhos.

Muitos bardos, contos sobre as Terras Imortais, uma curiosidade recai sobre esse lugar, mas não a ponto de sair dali, ainda tinha que ficar um tempo, tinha que ficar.

É quando perdida em seus pensamentos, percebe Vëon se aproximando, ele também estava triste com a partida de mais alguns amigos, assim que ele se aproxima, ela o olha nos olhos por alguns instantes sem falar nada, apenas quieta. O olhar falava pelo momento, apesar da festa, esta servia apenas para camuflar o ar melancólico que ali estava instalado.

- É como se uma parte nossa fosse junto. Dizem que é belo e não há sofrimento. Mesmo assim, é complicado definir o que se passa nesse momento.
A elfa então vira seu rosto na direção da festa, e continua:

- Partem quando? Serás o guardião, certo? Se precisar de mais alguém para lhe ajudar, eu posso fazer isso.

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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Ter Dez 07, 2010 7:51 pm

Pequenos grupos de elfos passavam pelos dois, Vëon e Lorie, vindos de ambos os lados e dirigindo-se para o Grande Salão onde se daria o banquete especial da noite. Estavam presentes também alguns homens. Mensageiros do rei Eldárion, que traziam aos elfos votos de boa partida. Eldárion era conhecido por, assim como seu pai Aragorn Elessar, ser um Amigo-dos-Elfos, sempre preocupado em saber notícias do belo povo.

E, algo que chamou mais ainda a atenção de Lorie, um grupo de quatro pessoas pequeninas, muito parecidas com crianças, mas seus rostos eram adultos e sorridentes. Eram hobbits, claro. Haviam ficado muito famosos depois da Queda de Sauron, mas raramente visitavam Valfenda. Os elfos apreciavam a companhia dos Pequenos mais do que a de qualquer outra raça, pois poucos Hobbits carregavam alguma maldade consigo. Sorriam e brincavam com todos os elfos presentes, mas também ficavam encantados com sua beleza quase divina.

Vëon passou um bom tempo observando a passagem das pessoas que enchiam o Grande Salão. Depois que todos haviam passado, voltou-se para Lorie:

- Partimos amanhã. E fico feliz com sua oferta. Se o que ouvi for verdade, poucos aqui em Valfenda tem a sua habilidade com o Arco. - disse sorrindo.

O elfo chamou-a para acompanhá-lo ao Grande Salão. Em breve as festividades começariam e todos deveriam estar presentes. Enquanto caminhavam, continuava falando:

- A viagem deve durar pouco mais de 15 dias. Tem havido notícias estranhas sobre criaturas hostis nessa região, por isso toda ajuda para guardar os viajantes será bem vinda. Mas agora - disse quando chegaram às portas do Grande Salão - Deixemos as preocupações para o dia vindouro. Ainda temos um banquete pela frente.

E abriu as portas enormes portas duplas. O salão estava apinhado de gente, várias luzes e muitas canções, como eram sempre as festas dos elfos...

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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Qua Dez 08, 2010 9:36 am

Assim que avista os hobbits, Lorie abre um sorriso como há tempos não fazia. Adora a companhia dos pequenos, sempre com um humor contagiante, com belas músicas e histórias para contar.
Talvez estivesse precisando um pouco disso, para dar uma animada, uma acalmada em seu coração.

Percebe que o elfo espera que os outros passem por eles para depois comentar, então faz o mesmo, e antes que entrem no salão, segura em seu braço rapidamente, aproximando sua boca do ouvido do rapaz, para que somente ele ouvisse.

- Posso dizer que gosto do que faço. E sobre estas criaturas, ouvi algumas coisas, pode me informar melhor sobre isso, para que eu vá mais preparada para ajuda-lo.

Dito isso, afasta-se do elfo, e olha para o salão bem a sua frente, as festas élficas eram sempre revitalizadoras, sempre alegravam qualquer pessoa. Não importando a situação.

- Então vamos aproveitar este banquete.

Ela entra sorrindo, olhando para todos que ali estavam, com tranqüilidade, sem pressa, esperando que Vëon também entrasse.
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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Sab Dez 11, 2010 9:23 am

Vëon vê-se repentinamente parado pelo toque da elfa e, sussurrante, responde:

- Em suma, Wargs* e Trolls. Os primeiros tem sido vistos com maior frequência nos arredores de Valfenda, enquanto os Trolls tem atacado algumas vilas na região de Bri ou nas imediações da Grande Estrada Leste, por onde passaremos. - o elfo falava sério, como se nem mesmo a beleza daquele grande salão fosse suficiente para afastar de sua mentes aqueles pensamentos negros.

Felizmente, a própria Lorie deixou morrer o assunto, entrando no Salão. E, àquela noite, o Grande Salão estava especialmente belo. Não havia tantas luzes élficas, a luz que iluminava o lugar parecia vir dos próprios elfos, deixando maravilhados os seus convidados, quer fossem homens, quer fossem hobbits.

Os pequenos Hobbits falavam muito, comunicavam-se com todos de forma muito espontânea. Comiam e bebiam muito, cantavam canções e contavam piadas que faziam até mesmo os seriíssimos elfos rirem. Havia um deles sentado bem ao lado de Lorie, parecia especialmente curioso:

- Oh! Você é mesmo uma guerreira élfica?? Foi o que eu ouvi aquele elfo de cabelo prateado falando - aponta para Vëon - Mas você não parece guerreira. Você não acha que é muito bonita pra ser uma guerreira? E se você se machucar seriamente? E é verdade que você vai acompanhar os elfos na partida deles? Eu também vou na viagem sabia? Precisam estar acompanhados de um Hobbit caso queiram passar pelo Condado.

Parecia capaz de falar sem parar. Tinha as maças do rosto rosadas, o cabelo muito encaracolado e sorria muito. Mas Lorie, em sua sabedoria élfica, pode notar que por detrás daquele rosto risonho se escondia um feroz guerreiro. E não pode deixar de impressionar-se com os pequenos.


- Ops, desculpe. Os elfos sempre dizem que falo demais. Me chamo Faramir Tûk II, e você?

OFF:

*Wargs: são lobos selvagens, mas muito selvagens mesmo xD

Quando vocês partirem te mostro um mapa da região pra tu não ficar perdida com os nomes dos lugares! ;-)

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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Ter Dez 14, 2010 10:01 am

Ao escutar o elfo, faz uma feição de preocupação, mas logo em seguida, quando entram no salão, a sua feição se desfaz, dando lugar a um belo sorriso. Então vira-se para Vëon:

- Nada que não possamos dar conta. Mas venha, hoje vamos festejar, para que fique marcado na memória de todos. Amanhã sentamos, conversamos e traçamos alguma estratégia.
Ela o olha um pouco mais séria:

- Não se preocupe, vai dar tudo certo.

É quando percebe a alegria dos hobbits, que contagiavam a todos naquele salão, ia acompanhando com palmas as músicas e as poesia dos pequenos, quando um senta-se ao lado e começa a disparar na fala.

Lorie para por alguns instantes, eram muitas perguntas para pouco tempo, assim que ele termina de falar, ela da uma risada e estende a sua mão para ele:

- Lorie Anathesti, muito prazer Faramir.

Ela sorri para o pequeno, e logo em seguida emenda na conversa.

- Então quer dizer que vai nos acompanhar na viagem? Muito bom, muito bom. E também tem uma ótima audição hein. Quanto a ser guerreira, bom, fazemos o que podemos, não é mesmo?
Agora, se eu me machucar ajudando meu povo, não tem problema, ao menos saberei que eles ficaram em segurança.


Faz uma pequena pausa, olha para Vëon e depois volta-se para o hobbit.

- Passaremos pelo Condado? Dizem que é um lugar magnífico, ainda não conheço, mas podemos passar por lá.


Off:

Tudo bem Arve, acho que sei qual lobo você ta falando, não é aquele que aparece no filme?
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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Sex Dez 17, 2010 1:03 pm

O pequeno fica encantado com a beleza e coragem de Lorie. Aliás, ao que parece, muitos ali, até mesmo elfos, ficavam encantados. Não havia muitas guerreiras élficas. Muito menos naqueles dias sombrios...

Lorie ouviu muita coisa de Faramir. Notícias atuais do Condado, notícias das terras mais ao Oeste de Valfenda. Antigamente aquelas terras haviam ficado desertas em virtude das guerras. Hoje, com o Retorno do Rei ao norte, começavam a ficar povoadas novamente, fazendo renascer a esperança no coração dos homens.

A festa entrou noite adentro com muita música e histórias dos tempos de antigamente. Até mesmo os hobbits se atrevaram a cantar animando os elfos. Mas quando os pequenos começaram a cabeçear de sono em meio as canções, os elfos notaram que era hora de parar as festividades. Eles, elfos, não precisavam de sono como as outras raças da Terra-Média. Poderiam passar dias e dias cantando e contando histórias. Mas os outros precisavam de descanso, principalmente se haveria uma longa viagem iniciando no dia seguinte.

E assim, cada qual, silenciosamente, partiu para os seus aposentos. Alguns elfos permaneceram no Salão do Fogo, local onde os sábios reuniam-se para conversar e ouvir histórias e canções. Mas aos elfos que deveriam viajar e aqueles que os acompanhariam como guarda-costas foi recomendado que descansassem o quanto pudessem.

E assim a noite passou, calma e serena, e um novo dia veio. Com os primeiros raios de sol, Lorie pode ouvir ao longe os primeiros sons do dia. Ouviu passos chegando à sua porta e um rosto na janela de seu quarto branco:

- Lorie, um bom dia para você. Chegou a hora de nossa partida... - era Vëon

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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Seg Dez 20, 2010 7:46 pm

A noite fora agradável, divertida, como há tempos não se vivenciava uma festa tão bela quanto aquela. Mas também, ter a companhia dos hobbits pode s ter uma certeza, diversão esta garantida.

Estava se sentindo a vontade, e se fosse por sua vontade, com certeza iria passar a noite em claro, a festa estava muito boa e ela precisava apenas de pouco descanso para se recompor. Mas os pequenos eram diferentes, e como estava prestes a uma viagem tão importante, seguiu o conselho dos demais e fora descansar.

Antes de dormir, ficou pensando muito em sua vida, lembranças de muitos anos começam a emergir em sua mente, deixando Lorie um pouco confusa, até que acaba adormecendo com seus pensamentos.

O sono era tão profundo que se Vëon não fosse acordá-la, perderia o horário. A elfa olha para a janela de seu quarto e o vê, dando-lhe bom dia.
Ela sorri e senta-se por alguns instantes na cama, mas logo levanta-se com uma disposição incrível.

- Um bom dia para você também Vëon. Já estou indo, só pegarei minhas coisas e já lhe encontro.

Dito isso, a elfa vai até o banheiro fazer sua higiene pessoal, depois coloca uma roupa de algodão para proteger a pele da couraça que iria vestir. Pega sua adaga com a bainha especial élfica, e logicamente, seu arco e aljava.

Estava pronta. O primordial estava com ela, com certeza alimentação pegaram na saída, com os outros elfos.

Lorie passa seus olhos pelo quarto, fecha os olhos e respira fundo, como se fosse um momento único para ela, uma reflexão antes de momentos importantes.

Sem mais delongas, a elfa caminha para fora do quarto, atrás de Vëon e Faramir, os vendo, logo chega perto:

- Estou pronta cavalheiros. Agora só esperar a hora da partida. Descansaram bem? É muito importante que corpo e mente estejam ótimos hoje. E quanto a você meu querido Faramir, me diga, ira alegrar nossa viagem com alguma cantiga?




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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Qua Nov 28, 2012 6:02 pm

Os elfos deixaram Valfenda em meio a canções. Eram canções tristes, pois os elfos hoje eram um povo triste. Seu tempo nesta terra estava no fim e aquela era só a primeira de muitas partidas que se seguiriam. A viagem até os Portos Cinzentos, no extremo Oeste da Terra-Média não era longa nem cansativa, mas o peso da tristeza fazia parecer que caminhariam muitas e muitas milhas mais.

Os primeiros dias de viagem transcorreram tranquilos. O clima era bom, havia bastante luz do sol. Os elfos só paravam pra que os hobbits pudessem descansar, não fosse isso, poderiam passar o dia inteiro cavalgando. Os hobbits, por sua vez, compensavam o atraso da viagem com bastante alegria: cantando, gritando, fazendo piadas que arrancavam sorriso até do elfo mais sisudo.

Vëon e Lorië, mais treinados, percebiam que a região ao redor de Valfenda estava silenciosa e ameaçadora, como nunca havia estado nos últimos séculos após a queda do Senhor dos Anéis. Aquilo era perturbador, mas contanto que não atrapalhasse a viagem, tudo bem. Além do mais, Faramir e os outros hobbits pareciam ser capazes de fazer mais barulho do que os elfos gostariam de ouvir.

Na noite do terceiro dia a comitiva parou próxima à Mata dos Trolls, célebre local onde Bilbo Bolseiro, hoje quase uma lenda, teve sua primeira aventura, quase sendo esmagado por três Trolls. A proximidade com aquele local fantástico logo deixou Faramir e os outros hobbits eriçados. Eles queriam visitar o local. Vëon não concordava, repetiu dezenas de vezes que era noite e a região estava estranha.

Faramir sentou-se emburrado ao lado de Lorië, enquanto os elfos acendiam suas magníficas luzes prateadas e arrumavam um jantar:

- Você não pode convencê-lo a nos deixar is ver os trolls? - implorou o pequeno, com olhos brilhantes.

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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Qua Nov 28, 2012 7:13 pm

Acompanhar os seus amigos para a sua partida era como se uma faca fosse enfiada em seu coração. Não eram apenas seus companheiros, era sua família. Ter que vê-los partir, é uma tristeza inigualável, a única coisa que confortava Lorië nesse momento era saber que Valinor é um local maravilhoso, sem guerras e confusões, sem ressentimentos, sem sofrimento.

Não tinha chego a sua hora, era relutante em abandonar a Terra Média, era o seu lar. E aquela escolta seria extremamente melancólica se não fosse à presença dos pequeninos. Tiveram um papel fundamental nessa empreitada, davam esperança a todos, traziam aquela alegria que a muito tempo fora esquecida.

Mas algo estava estranho, Valfenda nunca fora tão silenciosa. Sabia que estava para acontecer alguma coisa, e não seria nada bom. Nenhuma interrupção poderia acontecer, seus amigos estavam partindo, e deveria mantê-los seguros. Porém, seus pensamentos não abandonam o mau agouro, teve notícias de que wargs estavam pela região, Vëon mesmo confirmou isto na festa de despedida.
Não conseguia descansar por completo.

Toda vez que olhava os pequenos, descobria algo diferente neles, e isso era bom, conseguia se divertir com toda a sua bagunça, mesmo com toda a recomendação de silencio imposta no começo da empreitada.

Escuta atentamente o que Faramir lhe pergunta, passa os olhos por Vëon e solta uma pequena risada, voltando-se para o pequeno.

- Meu caro amigo, bem que eu gostaria, mas o Vëon é conhecido por sua teimosia! Façamos o seguinte... – Lorië ajoelha-se, para ficar na altura do pequenino, e prossegue – Quando estivermos voltando, levo vocês para conhecerem a floresta. Vëon pode ser teimoso, mas é astuto. Não se entra em uma floresta de trolls à noite, a menos que sejamos forçados. Não podemos prever o que irá acontecer, e também, veja todos esses elfos...

Ela faz uma pausa, mostrando os outros – Vai me deixar aqui, sozinha, para cuidar de todos? Preciso da sua ajuda aqui. Agora vamos, vejamos o que temos para comer, e não fique chateado.

Levanta-se rindo e passa a mão no cabelo do pequeno, aproxima-se de Vëon e fala com ele, discretamente.

- Tem algo errado por aqui. Sentiu também?



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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Sex Nov 30, 2012 8:34 am

O Hobbit dirige um olhar magoado para Lorië e, sem dizer qualquer palavra, vai se juntar aos outros hobbits que cochichavam entre si próximos à beira da estrada. Lorië agora parava pra observar melhor o local: o grupo estava viajando ao longo da Grande Estrada Leste, que ligava diretamente Valfenda aos Portos Cinzentos, passando pelo Condado. Haviam parado esta noite ao Norte da Grande Estrada, fora dela. Não que ela representasse algum perigo, mas os Elfos eram reservados, não gostavam de ser vistos nestes tempos.

Dois sentinelas élficos ainda mantinham guarda na borda da Grande Estrada, a mando de Vëon, que ainda estava inquieto.

Citação :
- Tem algo errado por aqui. Sentiu também?

- Sim. Eu tenho viajado muito por essa região nos dois últimos séculos e é a primeira vez que a encontro tão silenciosa. Acredite: algumas vezes o silêncio pode ser mais ameaçador do que o uivo de um Warg. E isso me perturba. - seu semblante era nitidamente preocupado. Parecia até ter uma certa pressa pra sair do local e continuar viagem, já que os elfos pouco se cansavam e quase não precisavam dormir. Mas os hobbits precisavam. - Mas fico feliz de você ter percebido. Isso prova que não estou imaginando coisas. É melhro partirmos cedo amanhã. Por enquanto, não se preocupe, Lorië... acredito que nada nos perturbará essa noite. - sorriu sem muita convicção.

Neste momento, várias coisas aconteceram ao mesmo tempo: primeiro, os elfos escutaram um grito agudo e desesperado. Ao virar a cabeça para o lugar em que estavam os Hobbits, Lorië percebeu que haviam sumido; segundo, sombras negras começaram a sair da Mata dos Trolls em direção ao acampamento élfico. Os olhos élficos de Lorië puderam perceber pelo menos uma dezena delas, eram Wargs; por fim, vindas do outro lado da estrada, flechas negras começaram a zunir muito próximas aos elfos.

Uma fração de segundos após ouvir o grito, Vëon já estava de espada em punho, correndo em direção aos Wargs. Os sentinelas élficos que ocupavam a beira da estrada imediatamente sacaram seus arcos: um deles correu em direção à Mata dos Trolls, para ajudar Vëon na luta. O outro permaneceu onde estava, atirando flechas contra a escuridão, tentando acertar quem quer que estivesse atirando flechas contra o grupo. Os nobres élficos limitaram-se a formar um círculo e esperar.

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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Dom Dez 02, 2012 2:07 pm

Antes que pudesse responder a Vëon, inúmeras coisas acontecem ao mesmo tempo. Quando escuta um grito, imediatamente pega seu arco e o prepara para o ataque, os hobbits haviam sumido. Deveria ter ficado de olho nos pequenos, estavam com muita vontade de entrar na floresta.

Não demora muito e descobre o motivo de tudo aquilo, wargs de um lado e flechas negras de outro, provavelmente algum destacamento orc. O coração da elfa começa a bater forte, uma dose extra de adrenalina é liberada e seu corpo entra em êxtase, era sempre a mesma coisa antes de uma batalha.

Vendo que Vëon e mais um foram cuidar dos wargs, Lorië concentra-se nas flechas. Com sua visão élfica, tenta identificar em quantos estavam. Começa a atirar nos que estavam com arcos. Já se posionando à frente dos nobres.

- Fiquem no meio, abaixem-se, tentem se proteger e nos avisem caso algum warg passe por Vëon.


Gritara aos nobres, nunca exaltava a voz, mas em meio à batalha, o sangue fervia, as emoções à flor da pele, e ninguém sairia dali machucado, não se dependesse de Lörie.
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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Ter Dez 04, 2012 8:31 am

A visão élfica de Lorië imediatamente percebe os rostos horrendos dos orcs do outro lado da estrada. Atiravam flechas envenenadas no grupo, felizmente nenhuma delas tinha atingido o alvo. A magia élfica ainda era forte para dublar a visão noturna dos orcs. Todas as flechas passavam zunindo próximas aos elfos, mas nenhuma delas acertava.

Já Lorië, com a perícia que lhe era natural, conseguiu incapacitar alguns dos flecheiros orcs. Dois deles caíram com flechas na garganta, exatamente onde o gorjal apresentava uma abertura. Ao perceberem a perícia superior da elfa, os orcs concentraram nela as próximas flechas. Uma saraivada passou próxima a Lorië, uma delas atingindo de raspão seu ombro esquerdo. Não houve dor. A adrenalina era demasiada.

As flechas pararam por um momento, os orcs sumindo no meio do mato. Lorië então escutou outro grito agudo, mas dessa vez era um grito furioso. E percebeu, saindo do meio do mato, Faramir Tûk e um outro hobbit, cada um com uma pequena faca élfica que lhe servia de espada. Os pequenos não pareciam mais tão inofensivos:

- Nos atacaram enquanto nós escapulíamos pra ver os trolls! Conseguimos fugir, mas um de nós está gravemente ferido. Mas vamos mostrar pra esses feiosos que o Condado também tem garras!

De repente, surgem do meio do mato 6 orcs, um deles maior que todos os demais, provavelmente o líder. Cada um portava uma cimitarra enorme e muita sede de sangue. O líder falou na língua comum, com um forte sotaque:

- Rapazes, preparem os estômagos, porque hoje vamos comer carne de elfo no jantar! HAHAHAHAHA - sorriu mostrando os dentes tortos e deformados para Lorië - Venha, pequena elfa. Suas flechas são bem ariscas, mataram alguns dos meus camaradas. Vou sentir prazer em cortar essa sua cabecinha e pendurar na parede.

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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Ter Dez 04, 2012 9:15 pm

Logo que avista Faramir sair da floresta, o coração de Lorië bate mais forte, sua feição era um misto de alegria e de repreensão, não tinham que abandonar o acampamento, agora estavam tendo de enfrentar orcs em um local nada apropriado.

Pensando melhor, não sabia se a ação dos pequenos fora proveitosa, provavelmente seriam surpreendidos de alguma forma com o ataque do bando.

A raiva toma conta do corpo inteiro de Lorië assim que escuta o orc, mas ela não se intimida, infla seu peitoral, ergue a cabeça, analisando cada parte vulnerável da armadura do maldito, analisando a posição dos outros orcs, e com extrema segurança na voz, fala ao maldito:

- A única coisa que vão encontrar essa noite, orc, é a sua própria morte.

A elfa segurava duas flechas em seu arco, e com maestria atira ambas em alguma parte vulnerável do miserável que se atrevia em ameaçar a ela e seus companheiros. Enquanto não acabasse com todos, não iria parar de atirar flechas, deveria ganhar espaço, acabar com o máximo deles, antes que se aproximassem.

Outra preocupação era Vëon e os wargs do outro lado, seu coração estava apertado, deveria acabar logo com essa luta, manter a todos salvo, mas acima de tudo ansiava por notícias dos outros do outro lado da estrada.

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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Qua Dez 05, 2012 5:46 pm

A agilidade e fúria da elfa pega os orcs um pouco de surpresa, mas não o Grão-Orc (o maior de todos). Aquele já estava carimbado por outras tantas batalhas com os elfos e, se estava vivo hoje, significava que tinha alguma perícia. Mesmo com o saque rápido e o tiro certeiro de Lorië, o orc conseguiu jogar o corpo para o lado com uma agilidade impressionante para alguém tão grande. As flechas não atingiram o ponto frágil no pescoço da armadura, como Lorië planejara, mas uma delas fincou no ombro esquerdo do Orc, enquanto a outra atingiu seu bíceps e lá ficou, grotesca e coberta de sangue negro. O orc fez uma careta de dor, cambaleou um pouco para trás, mas depois sorriu, babando de desejo e fúria:

- Então você morde, pequena elfa? Bom saber... assim terei mais prazer em arrancar suas tripas. - ergueu a imensa cimitarra e, num movimento rápido, projetou o corpo para frente, visando diminuir a distância que o separava de Lorië, de modo a tirar a vantagem da elfa. Ao mesmo tempo, projetou a cimitarra em direção à cintura de Lorië, que estava desprotegida, por conta do movimento característico para atirar com o arco. O golpe não obteve alcance suficiente para partir a elfa ao meio, mas Lorië sentiu o toque frio do aço raspando em sua cintura, seguido pelo calor e viscosidade do sangue que escorria. Um corte raso e pouco doloroso, mas perigoso. Lâminas de orcs geralmente continham veneno. Era difícil saber se esta lâmina estaria envenenada.

Quanto aos outros 5 orcs, três deles foram em direção ao sentinela élfico, enquanto dois foram em direção aos hobbits. O elfo respondeu à altura a aproximação dos orcs, acertando dois deles com flechas rápidas: um no rosto e outro na perna. Ambos ficaram para trás, mas o terceiro conseguiu acertar o ombro do elfo com a cimitarra. Um jato de sangue claro e brilhante respingou no rosto do orc, que lambeu os beiços, sorridente. O elfo cambaleia para trás, deixando cair o arco e sacando uma adaga, meio vacilante.

Faramir e o outro hobbit não pensaram duas vezes antes de correrem em direção aos seus adversários, espadas em punho, calor da batalha no rosto. Ambos tinham apenas metade do tamanho dos orcs, mas muita coragem e fúria. A favor dos hobbits, seu tamanho e agilidade. Ambos os orcs erraram seus golpes e sentiram lâminas afiadas penetrando a falha da armadura em suas coxas. Caíram no chão com gritos horrendos. Faramir não pensou duas vezes antes de cortar a garganta do seu adversário quando este caiu desequilibrado pelo ferimento na perna. O outro hobbit não foi tão decidido. Um segundo que demorou, acabou sendo partido do ombro até a cintura pela potente cimitarra do orc.

- NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOO!! - gritou Faramir, despesperado e sem reação.

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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Qua Dez 05, 2012 6:17 pm



O coração da elfa começa a bater muito forte, para alguns, era possível ouvir os batimentos dela ao longe, não estava apavorada, não estava com medo. O único sentimento que domina a elfa nesse instante é o da adrenalina total e a vontade de arrancar a cabeça daquele maldito orc.

Sinto um calor imenso e o sangue escorrer da minha cintura, não se importava se sairia viva daquele local, ela acabaria com aquele orc. Era conhecida como uma das melhores arqueiras de Valfenda, já enfrentara inúmeros perigos, mas este orc em especial, esta mostrando-se mais habilidoso, o que deixava o coração da guerreira ferver em emoção.

Aproveita enquanto a cimitarra do mesmo estava abaixando e atira mais duas flechas em baixo do seu braço esquerdo, enquanto vai se afastando o mais rápido que pode da batalha corpo a corpo. Não era tola o suficiente para encará-lo em preitada corporal.

Quando vê o pequeno hobbit sendo cortado ao meio, Lorië é tomada por uma fúria guerreira incrível, seus olhos agora cirravam aquele orc à sua frente, não tinha como ajudar o pequeno agora, deveria acabar com este primeiramente.
Enquanto pega distância, usando toda a sua habilidade*, não pára de disparar flechas contra o adversário.

- É apenas isso que tem, verme? Até minha vó usa uma cimitarra com maior destreza. – Cospe ao chão, provocando o inimigo, sabe que eles são muito orgulhosos de suas habilidades, espera apenas um momento de distração para disparar uma flecha certeira e acabar logo com tudo isso.

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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Qua Dez 05, 2012 7:52 pm

Atiradas à queima-roupa, as duas flechas de Lorië penetram a abertura da armadura entre o braço e o ombro, por baixo. O urro de dor do Orc dessa vez é muito mais alto. As flechas penetram fundo em sua carne, fazendo com que o braço esquerdo caia meio morto, sem forças. O chão é coberto por várias pequenas gotas de sangue. O grão-orc já se apruma pra um novo ataque, mas sem tanta firmeza. Com o braço esquerdo inutilizado pela dor, o adversário não tem mais o mesmo equilíbrio.

Lorië se afasta rapidamente do inimigo, graças a sua agilidade élfica. O orc tenta investir novamente, furioso pelo provocação da elfa. Contudo, com o braço esquerdo sem mobilidade, desprovido do equilíbrio corporal certo, o golpe sai lento e errado. O líder orc erra por muito e não consegue recuperar a postura defensiva no tempo correto. Está completamente com a guarda baixa e a abertura da armadura no pescoço completamente desprotegida...

Enquanto se afasta, por uma fração de segundos Lorië pode dar uma olhada mais calma ao redor. Do seu lado da estrada, Faramir, enlouquecido em fúria, matava o orc que havia tirado a vida de seu companheiro Hobbit, enquanto o sentinela élfico, mesmo ferido, dava cabo do orc que havia lhe ferido e já preparava novas flechas contra os outros que haviam ficado caídos pelo caminho. Desse lado da luta, tudo caminhava para uma vitória tranquila.

Contudo, do outro lado da estrada, eram apenas Vëon e outro elfo contra mais de uma dezena de Wargs imensos. Wargs agiam sempre ordenadamente e em bando, de forma mais organizada e estratégica que os orcs. Não era de se surpreender que estivessem em vantagem na luta. Os dois elfos, habilidosos na arte da espada, já haviam dado cabo de quatro ou cinco lobos, mas estavam ensanguentados, cansados e feridos. Não havia muita esperança para eles. No meio da estrada, observando atônitos, estava o grupo de nobres élficos que partiria da Terra-Média. Aquelas pessoas eram poderosas a seu modo, com grande sabedoria, poder de cura e de previsão, mas não eram guerreiros. Eram de pouca ajuda numa batalha como aquela...

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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Qua Dez 05, 2012 9:03 pm

Em batalha, a elfa não parecia nem um pouco indefesa. A sua aparência delicada, engana seus oponentes, engana até mesmo seus companheiros, que não sabem a fúria e a coragem que a garota leva. Foram algumas batalhas que ela passou, mas o suficiente para deixá-la forte, não se apavorar diante um inimigo, e jamais, jamais baixar a sua cabeça. Quando entra em batalha, o seu destino não mais a pertence, ela deixa que os deuses decidam.

Seu coração fica apertado ao avistar a cena do outro lado da estrada. Os dois elfos estavam feridos, e haviam muitos wargs. Queria ajudá-los como pudesse. Antes de qualquer coisa, ela daria cabo daquele imenso orc. Vendo a sua guarda baixa, a brecha na armadura no seu pescoço, Lorië atira mais duas fechas, certeiras, com toda a fúria que agora tomava conta do seu corpo.

Vai andando e atirando, até que acabe de vez com aquele ser monstruoso. A elfa, grita para os nobres que estavam ao centro, em uma tentativa de ajudar os outros dois que estavam no ataque corporal:

- POR FAVOR, SE TIVEREM ALGUM PODER DE CURA, AJUDEM VËON E O OUTRO. DAREI COBERTURA A ELES DAQUI.


Caso o orc já estivesse caído, Lorië concentra-se nos wargs, atiraria primeiro nos que estavam ao redor dos elfos, nos seus olhos, inutilizando-os, depois no pescoço. A adrenalina estava muito alta, não sentia nem mesmo a sua ferida, que sangrava um pouco. Iria sentir apenas quando tudo isso tivesse acabado.
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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Qui Dez 06, 2012 4:38 pm

Atiradas à queima-roupa e com um adversário desprotegido, as flechas de Lorië eram muito mais do que mortais. Ambas perfuraram o pescoço do orc na falha da armadura. Um esguicho de sangue negro e fedorento respingou nos braços da elfa. O inimigo caiu duro no chão, com os olhos mortos olhando vazios para a elfa que o havia vencido. Era o fim.

A batalha do seu lado havia acabado. Lorië volta as atenções para Vëon e o outro elfo. Contudo, sequer precisou atirar uma flecha. Imediatamente percebeu a aproximação de várias figuras encapuzadas, que se movimentavam habilmente dentro da mata. Em questão de segundos os Wargs estavam mortos com flechas certeiras no pescoço, todos eles. Vëon olhou atônito, mas logo compreendeu. Lorië, pelo contrário, ainda estava confusa.

Foi então que os estranhos se mostraram. Pertenciam à raça dos homens, e eram todos muito altos e fortes. Vestiam-se com capas e capuzes élficos de Lothlórien, o que facilitava a camuflagem em qualquer ambiente, por isso os Wargs não perceberam sua aproximação, e por isso Lorië só os percebeu quando estavam bem próximos. Traziam consigo os dois hobbits que ainda estavam escondidos dentro da mata, e embora um deles estivesse bastante ferido, já estava medicado pelos guardiões. No saldo total da batalha, apenas um hobbit havia morrido, ninguém mais. Contudo, para os elfos, ver alguém de um povo tão alegre morrer de forma tão cruel era sempre uma dor.

O mais alto entre os homens aproximou-se de Vëon e lhe falou algo em língua élfica, os demais se ocuparam de reunir as carcaças mortas de orcs e wargs e queimá-las. Por fim, o homem dirigiu-se a todos:

- Eu me chamo Rúmil, sou o líder dos Guardiões* nesta parte do reino. Vamos levá-los ao nosso acampamento. É próximo daqui e muito mais seguro. - olhou para Faramir, que chorava, com uma expressão indiferente - Por favor, peço-lhes que endureçam os corações e partam conosco. Haverá tempo para chorar seus mortos durante a vigília da noite. Este local não é mais seguro. - parou e deu uma rápida olhada ao redor, seus olhos passaram por Lorië e pelo sentinela élfico que havia lutado ao seu lado, parando por uma fração de segundos em seus ferimentos - Vocês, que foram feridos pelos orcs, por favor venham até mim. Precisamos tratá-los, ou haverá mais mortes antes de o sol nascer.

Os demais guardiões já voltavam e, rapidamente, desfaziam o acampamento élfico preparando tudo para a marcha. Vëon estava bastante ferido, mas ainda mantinha a cabeça erguida, orgulhoso. Jamais admitiria o cansaço ou a dor enquanto estivessem em risco as vidas que ele se comprometeu a proteger. Os hobbits despediam-se do que havia restado de seu companheiro, enterrando-o dignamente, da melhor forma que era possível. O clima era de tristeza e morte... mas os guardiões não pareciam afetados por ele.

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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Sex Dez 07, 2012 12:25 am


Assim que vê seu inimigo caído, sem vida à sua frente, Lorië abre um sorriso, era o seu triunfo. Não era muito sutil, não era um sentimento nobre se sentir feliz com a morte de um ser vivo, mas isso não se enquadrava quando se tratava de orcs. Essa raça já trouxe tanto sofrimento para o mundo, tantas perdas, tantas dores, que a elfa sentia-se um pouco vingada pelos seus antepassados. Não conseguia esconder a satisfação, a vibração em seu sangue logo após a vitória.

Estava mais confiante, logo dariam conta dos wargs e poderiam seguir a viagem, mesmo com suas perdas, essa noite serviria de lição para todos. Mas é interrompida no momento em que iria acertar o primeiro lobo, todos tombos mortos. A elfa não baixa a guarda, estava preparada a dar a sua própria vida para salvar a dos nobres, iria honrar a sua promessa.

Mas para a sua surpresa, não eram inimigos, mas os guardiões do norte. Já havia escutado alguma coisa sobre eles, mas nunca teve contato, até hoje. Mesmo ressabiada, a elfa baixa o seu arco, prestando atenção em todos os movimentos que eles faziam.

Não gosta da forma como o líder deles se refere aos hobbits, era um momento de dor, tristeza, não era saudável interromper, mesmo que o local não fosse seguro. A elfa segura as lágrimas, lembrava a cada instante do hobbit sendo morto, brutalmente morto. Só agora ela percebia que falhara na obrigação de protegê-los.

Sem falar nada, a elfa se aproxima do guardião, afim que ele cuide de seu ferimento, ela respira fundo, fecha os olhos, tentando afastar por alguns instantes aquela cena horrorosa, depois de alguns minutos os abre novamente, já na frente do guardião:

- Muito obrigada pela sua ajuda, esta sendo essencial.

Logo que ele termina os cuidados com o ferimento, a elfa olha para Vëon, estava machucado, a luta para ele foi muito intensa, injusta, suja. Mas ele estava bem, apesar dos pesares. Por fim, aproxima-se de Faramir, não sabia o que fazer, muito menos o que falar, apenas abaixa-se, e com toda a ternura do mundo o envolve em um abraço apertado.

- Sinto muito pela sua perda, Faramir. Peço desculpas pela minha falha em protegê-los.

Dito isso, ela levanta-se, vai até o seu cavalo e fica a postos para partir para o acampamento dos guardiões.
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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Sex Dez 07, 2012 9:33 am

Rúmil, assim como todos os guardiões, era habilidoso também na arte da cura. Mas lidar com veneno orc era sempre complicado. O homem não respondeu a Lorië, apenas concentrou-se em seu trabalho. Passou alguma coisa fria no ferimento da elfa, que imediatamente fez queimar com um ardor lancinante, depois estendeu para Lorië um frasco com um líquido transparente:

- Beba, por favor. - pediu, ainda sem olhar para a elfa. Quando acabou, Lorië pôs-se de pé, o homem falou mais uma vez antes de se afastar - Não force. Você se sentirá fraca ainda antes de chegarmos ao acampamento.

A elfa então afastou-se, indo ter com o Hobbit. Faramir estava desolado. Era o mais velho dentre os quatro hobbits (agora três) e, de certa forma, sentia-se responsável pela segurança deles. Não respondeu, mas dirigiu um sorriso para Lorië cheio de significado. Claro que não fora culpa da elfa. Ele, Faramir, havia convencido os amigos a fugirem do local para ver os Trolls de Pedra. Ele sentia-se culpado verdadeiramente. Mas Lorië o deixou lá com seus próprios pensamentos.

Por fim, o grupo partiu. Conforme prometido pro Rúmil, o acampamento não era distante. Infelizmente, não podiam prosseguir rapidamente com cavalos por dentro da mata, de modo que tiveram de ir marchando. Apenas os feridos iam a cavalo, vagarosamente. Vëon, no entanto, mesmo ferido como estava, caminhava à pé, ao lado de Rúmil, sempre conversando baixo e em Sindarin (língua élfica). Conforme o guardião previra, Lorië começa a se sentir fraca e até um pouco sonolenta, mas cavalgava próxima aos líderes (Rúmil e Vëon) e pode distinguir algumas palavras ditas, dentre elas "Angmar*" e "Lorde Negro". Isso afastou o sono da mente da elfa, que se concentrou em ouvir mais

Citação :
- Rúmil, eu não posso pedir isso, a missão dela é outra. Isso que você está planejando é arriscado demais.
- A elfa é habilidosa, mais do que qualquer arqueiro que tenhamos aqui. Precisamos dela.
- Isso está fora de cogitação, o destino dela é Mithlond*, depois Imladris*.
- Basta. Deixemos que ela mesma decida. Estamos chegando.

Finalmente o grupo chegou e se acomodou no acampamento dos guardiões. Era um lugar grande e bem escondido no meio da mata. Muito bem guardado, conforme Lorië pode observar (sentinelas semi-invisíveis em todos os pontos aparentemente vulneráveis). Podia acomodar com conforto aproximadamente 200 homens, mas não havia ali mais que três dezenas de guardiões, contando com os que chegavam agora. Lorië foi posta numa tenda individual, sentido-se um pouco fraca e tonta por conta do veneno orc. Mas graças à rápida convalescença dos elfos, em uma noite provavelmente estaria em perfeito estado.

Por algum tempo, Lorië permaneceu com aquelas palavras que ouvira na cabeça. Mas nem precisou esperar muito tempo. Logo que todos estavam acomodados em suas tendas e barracas, Rúmil e Vëon entraram na tenda de Lorië. Vëon claramente sem jeito, falava de forma vaga:

- Olá, Lorië... sente-se melhor?

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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Sex Dez 07, 2012 5:02 pm

Não sabia ao certo o que era, mas algo naquelas guardiões não agradava a elfa, fazendo-a ficar em estado de alerta a todo momento. Sabia que não conseguiria cuidar do veneno sozinha, era eternamente grata aos cuidados que estava recebendo, mesmo assim, sentia como se algo ruim fosse acontecer a qualquer momento.

Seu corpo não estava tão ferido, fora apenas um pequeno corte, o que estava fazendo a elfa praticamente perder o prumo, era a visão do hobbit sendo assassinado. Toda vez que fechava os olhos, podia ver aquela cena, tentava analisar o que poderia fazer de diferente para salvá-lo.

Ela faz o que lhe fora mandado, toma o líquido e tenta não forçar o seu ferimento. Apenas observa o que estava acontecendo em volta, a conversa entre Vëon e Rúmil estava interessante, apesar de obscura. O que exatamente queria dela?

Assim que chega a sua tenda, a elfa retira a couraça que utilizava, deu uma boa olhada em seu ferimento, logo estaria bem. Mas estava triste, não fora totalmente eficiente aquela noite. Não conseguiu consolar Faramir, e isso estava a sufocando-a.

Deitada em uma cama improvisada, ficava pensando na conversa dos dois, fecha os olhos, leva as mãos até eles, tampando, como se quisesse esquecer o que acontecera aquela noite, até que é surpreendida por Vëon e o guardião.

- Não foi nada demais o ferimento, pela manhã não terei nenhum vestígio de cansaço, não se preocupe. E você como esta?

Depois que responde a Vëon, a elfa levanta-se, estava com roupas confortáveis, o cabelo solto, mas a inquietação em seus olhos. Encara por alguns instantes o guardião, e logo depois continua:

- O que os trazem a essa hora?

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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Sab Dez 08, 2012 9:47 am

O elfo Vëon já estava vestido com novas roupas e medicado, mas Lorië ainda podia observar, através do tecido fino que cobria a pele do elfo, as marcas negras das mordidas e garras dos Wargs. Algumas eram profundas, mas estavam habilmente suturadas. Se sentia dor, Vëon não demonstrava. Na verdade, naquele momento parecia sentir mais desconforto do que dor:

- Que bom, fico feliz que esteja bem. Creio que devo desculpas a todos por ter conduzido mal o grupo. Claramente errei em minhas previsões e achei que estaríamos seguros...

- Com licença, Vëon... haverá tempo para desculpas mais tarde esta noite, já que os elfos não precisam dormir tanto como nós humanos. - interrompeu secamente o guardião. Vëon dirigiu-lhe um olhar raivoso, mas compreendeu a urgência e quedou-se calado. Rúmil pegou uma cadeira e sentou-se próximo a Lorië, de modo que pudesse observar seu ferimento. Balançou a cabeça positivamente, o que significava que a coisa já não estava tão feia. Em seguida, o homem retirou da pequena bolsa de couro que trazia na cintura um enorme mapa da região de Eriador*. Em seguida, fixou seus olhos negros em Lorië e falou pausadamente - Gostaria que você se juntasse a mim em um grupo que realizará uma missão especial a pedido do Rei Eldarion.

Apontou com o dedo um ponto específico do mapa, que Lorië reconheceu como sendo a antiga cidade-fortaleza de Angmar, onde entre os anos 1409 e 1975 da Terceira Era o Rei Bruxo, líder dos Nazgûl, governou e fez guerra contra o Reino de Arnor. Naquela época, Angmar foi destruída e o Rei-Bruxo voltou para Mordor, mas deixou um legado negro para o Norte: o reino de Arnor se dividiu em três (Rhudaur, Arthedain e Cardolan), que estiveram sempre em guerra até se acabarem e isso representou o fim para o que restou de Arnor. Após isso, durante séculos o Norte esteve semi-abandonado e pouco povoado. Apenas os guardiões que lá viviam preservavam a memória do Antigo Reino de Arnor. Atualmente, Eldarion, filho de Aragorn, revitalizou o reino de Arnor, inclusive sua capital: Fornost Erain*.

- Há estórias de que Angmar estaria ocupada novamente por um indivíduo autodenominado "Lorde Negro". A veracidade desses boatos ainda não foi constatada, mas o fato é que a força dos boatos já é suficiente para dar liberdade a orcs, trolls e Wargs transitarem livremente pelo norte, certos de que a mera sombra de seu "Lorde Negro" os protegerá. Por isso o Norte está tão violento ultimamente. - fez uma pausa para respirar e deixar que suas palavras fizessem efeito - Por conta disso, o Rei Eldarion solicitou auxílio aos guardiões para que verificassem a veracidade desse boato, até para que possa tomar as providências devidas, caso seja verdade. Eu não vejo forma mais objetiva de fazer isso do que indo até Angmar. E é isso que lhe proponho, Lorië Anatesthi: integre o grupo que irá comigo até Angmar. Preciso dos melhores para essa empreitada, e você está entre os melhores. Ademais, é preciso ter alguém do belo povo para constatar se são verossímeis ou não os boatos, para que todos os povos livres da Terra-Média saibam em primeira mão caso tenhamos um novo inimigo. - parou de falar, com um sorriso sombrio no rosto - O que me diz?

Vëon observava sério o rosto da elfa. Era visível que ele não concordava com aquilo, mas manteve-se calado...

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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Sab Dez 08, 2012 2:54 pm


Após ouvir tudo o que Rúmil diz, a elfa fica sem reação. De certa forma, aquele guardião era extremamente importante para a segurança do norte, se não fosse por ele, certamente haveriam mais mortes essa noite, ou sairiam extremamente machucados, a ponto de não conseguirem conduzir seus irmãos de raça até os portos cinzentos.

Não sabia o que falar, mesmo assim aquela proposta enche o seu ego, era grata pelo reconhecimento de suas habilidades, mas antes de tudo, tinha se comprometido a acompanhar seus irmãos, fazer a segurança deles. Ninguém pediu, Lorië se ofereceu com todo o coração, não deveria decepcioná-los agora, não agora.

Ela fecha os olhos por alguns instantes, e nesse momento vem a cena do hobbit sendo assassinada, brutalmente assassinado. Foi como se uma faca estivesse sendo enfiada em seu peito. Nunca se perdoaria por completo com aquele erro. Mas deveria conviver com isso.

Lorië olha bem nos olhos do guardião, o encara por alguns instantes e desvia o seu olhar rapidamente para Vëon, claramente insatisfeito com a proposta que surgiu naquela tenda.

- Porque eu Rúmil? Há tantos guerreiros, tão ou até mais capazes, experientes que eu. - O motivo daquela convocação ainda era obscura para a elfa, nunca tivera contato com nenhum dos guardiões, e ele parecia saber coisas à seu respeito. - Não posso abandonar meus irmãos de raça nesse momento tão doloroso. Fico grata com o seu convite.

Ela levanta-se e anda um pouco pela tenda, estava tensa, parecia escolher as próximas palavras.

- Quando partem? Fico feliz em me juntar com o seu grupo, mas somente depois da minha missão. Não posso quebrar a minha palavra com meus irmãos. Caso isso não seja possível, terei que declinar educadamente.
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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Qui Dez 13, 2012 1:54 pm

O Guardião escuta cada palavra da elfa com uma atenção contemplativa. Sem um movimento na face, sem uma expressão sequer que deixasse à mostra o que ele estava pensando. Apenas uma estátua de gelo, com olhos cinzentos fixos na elfa que falava. Esse era o estilo sisudo dos guardiões do norte. Apenas quando Lorië falou tudo é que Rúmil pareceu sair daquela letargia silenciosa:

- Eu entendo. No seu lugar, eu teria respondido a mesma coisa. - o homem não sorri, mas parecia estar se divertindo com a situação - Você me pergunta por que a escolhi? Bom, o fato de ser melhor arqueira do que qualquer um que eu tenha aqui já me pareceria justificativa suficiente, mas parece que Mestre Elrond também pensa o mesmo - a menção ao nome de Glorfindel faz Vëon olhar para o guardião com olhos surpresos, mas permanece estranhamente calado, enquanto Rúmil continua - Eu posso destacar um grupo de meus homens para acompanhar os elfos, eles com certeza estarão mais bem protegidos do que estiveram essa noite.

Aquelas palavras, embora verdadeiras, foram duras para Vëon, que fora o encarregado de liderar a escolta até os Portos Cinzentos. O elfo, em sua longa sabedoria, contém as palavras de ira que quase saíram de sua boca. Por uma fração de segundos a expressão sempre serena de Vëon transformou-se numa máscara de ira, mas rapidamente voltou ao normal. Quando falou, sua voz estava carregada de mágoa, mas era firme e musical:

- Aonde você espera chegar mencionando Mestre Glorfindel? A menção ao nome dele já não é mais uma senha para conseguir favores dos elfos de Eriador, você deveria saber. Nós vivemos em isolamento desde a queda d'O Senhor dos Anéis, só queremos passar nossos últimos anos na Terra-Média em paz, sem nos envolver nas guerras dos homens - desabafou.

Rúmil pela primeira vez pareceu demonstrar alguma emoção, e foi uma emoção que deixou os elfos surpresos: tristeza. O guardião parecia magoado com as palavras do elfo, mas não lhe dirigiu o olhar. Falou olhando para as paredes da tenda, tão baixo quanto um sussuro:

- Jamais mencionaria mestre Glorfindel levianamente, eu o respeito mais que qualquer outro ser vivo da Terra-Média... mas confesso que desejei que vocês aceitassem meu convite sem ter que apelar para Glorfindel. Não sou o mais bem quisto dentre os homens, mas alguns que são sábios conhecem o meu valor e sabem de tudo pelo que abdiquei para me tornar o escudo do Rei aqui no Norte. - retirou do bolso um pedaço de pergaminho e atirou-o para Vëon, que após ler, passou-o para Lorië.

O pergaminha era escrito com a letra perfeita de Glorfindel, endereçado a Rúmil:

Glorfindel escreveu:
Envio-lhe os dois melhores de Imladris que ainda tem paixão pela Terra-Média, e que poderiam aceitar seu pedido. Cada um deles possui dentro de si todo o valor e virtude de seu povo, mas eles devem também decidir seu próprio destino, assim como você decidiu o seu. O pequeno os acompanha, mas não o julgue pelo tamanho. Ele tem o valor de um príncipe dúnedain.

Rúmil sentou-se novamente, suspirando, e fala olhando para Lorië:

- Os "dois" a que Glorfindel se refere são, naturalmente, você e Vëon. O pequeno é Faramir Tûk, que já decidiu me acompanhar desde há muito tempo e era o único que estava a par da situação, além de mim e Glorfindel. A partida de vocês como escolta foi apenas para manter em segredo o verdadeiro destino de ambos, caso escolham me seguir. - levantou-se - Como Glorfindel diz na carta, a escolha ainda é de vocês, sempre será. Vocês não serão tachados de covardes caso não aceitem. Tenham em mente que esta pode não ser a viagem mais confortável de suas vidas. De todo modo, caso decidam continuar até Mithlond, lhes fornecerei alguns homens como ajuda. E espero que possamos nos encontrar novamente algum dia... - pediu de volta a carta de Glorfindel. Guardou-a com carinho, como se cada palavra do Sábio Mestre fosse importante. E então esperou que os elfos desse alguma resposta.

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Última edição por Arvedui em Sab Dez 15, 2012 9:46 pm, editado 3 vez(es) (Razão : Correção de erros de digitação)
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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Qui Dez 13, 2012 6:43 pm

Por alguns instantes Lörie fica desnorteada. Eram muitas coisas que precisava absorver em pouco tempo, obviamente aquele guardião escondia mais coisas deles, que só revelaria caso aceitem a missão.

Mestre Elrond confiava nela e em Vëon, deixando que ambos representassem os elfos nessa empreitada. Mas e se recusarem? Como seria a vida após isso? A única coisa que fica em sua mente, era à sombra da dúvida. Nunca saberia o que iria acontecer se não aceitasse.

Os guardiões assegurariam que seus irmãos de raça chegariam em segurança aos portos cinzentos, de certa forma, Lörie sente-se ferida com as palavras do guardião, ela também estava fazendo a segurança deles e não fora eficiente o suficiente.

A elfa entrega com cuidado a carta de Elrond para Rúmil, levanta-se novamente, meio tonta, se segura na cadeira de Vëon por alguns instantes e começa a andar pela tenda. Não era nenhum efeito do veneno, e sim efeito de todas aquelas informações. Fica pensativa por alguns instantes, leva as duas mãos na cabeça, como se infinitas informações, pensamentos se cruzassem em sua mente.
Ela volta-se para o guardião, olhava-o fixamente nos olhos, um ar sério:

- Se eu aceitar, promete que meus irmãos de raça chegaram em segurança? – Ela o encarava sem medo, sem receio, queria extrair o máximo de informações possíveis dele. – Se puder me prometer isso, me junto a vós. Pelo visto, o mestre Elrond deposita sua confiança em nós, Vëon.

Ela segura levemente no ombro do elfo, o olha fixamente por alguns instantes, como se quisesse saber a sua resposta para aquelas questões, se ele a acompanharia naquela jornada ou se eles se despediriam ali, aquela noite.

- Irá me acompanhar nessa jornada, meu amigo?
– O rosto da elfa estava sem reação, apenas o seu olhar, cheio de expectativas, vidrados nos do elfo.

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Arvedui
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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Sex Dez 14, 2012 10:46 am

O Guardião novamente escuta as palavras da elfa em silêncio contemplativo, sempre esperando que tudo fosse dito para então falar. Sua voz agora já estava novamente carregada com a frieza de sempre, deixando de lado o frágil momento em que Rúmil pareceu menos gelado e mais humano:

- Não tenha dúvidas. Neste mesmo momento, tenho um grupo de homens prontos para partir a qualquer instante. Como vocês estão, em tese, feridos, não seria prudente continuarem a viagem, muitos menos alguns dos elfos que foram envenenados por armas de orcs, e isso seria o álibi perfeito para mascarar a permanência de vocês. Lembre-se sempre que a viagem até Angmar só é de conhecimento dos membros que comporão a comitiva. - Dito isso, o guardião dirigiu-se até a porta da tenda, virando-se mais uma vez apenas para dar uma última olhada em Lorië - Descanse. Os outros elfos partirão ainda esta noite. Nós partiremos em segredo tão logo vocês estejam restabelecidos dos ferimentos - e saiu.

Lorië pode perceber que o homem falava como se Vëon já tivesse aceitado a missão. De fato, o elfo falou pausadamente, respondendo a Lorië:

- Ele já havia me convidado mais cedo esta noite, e eu aceitei. Eu apenas me opunha a que você fosse nessa viagem, pois desconhecia o teor dessa mensagem de Elrond. Mas se ele acredita que você estará em segurança, eu respeito. Portanto, estaremos juntos por mais algumas milhas. E não se preocupe quanto aos nossos irmãos... eles com certeza estarão mais seguros do que nós. - o elfo levantou-se também, estava muito ferido e, claramente, exausto. Encaminhou-se até a porta da tenda, meio cambaleante - Durma esta noite, sem preocupações. Amanhã já deveremos partir.

E saiu silencioso, deixando Lorië imersa em seus próprios pensamentos. Finalmente a luta interna entre o veneno dos orcs e o antídoto dos guardiões começava a fazer efeito, e Lorië sente-se irresistivelmente sonolenta...

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Heidi Cavalieri
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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Sex Dez 14, 2012 12:35 pm



A elfa escuta com atenção, seus sentidos já não estavam tão atentos, finalmente o efeito do veneno e do remédio dos guardiões estavam fazendo efeito em seu corpo. Estava cansada, seu corpo pesava e suas pálpebras custavam a ficar abertas. Mesmo assim, tentava não demonstrar nenhuma fadiga em frente aqueles dois.

Passara a vida inteira sendo questionada, sendo sub julgada incapaz, e as palavras de Vëon entraram por seus ouvidos não como um cuidado de amigo, mas uma dúvida notória de suas habilidades, foi preciso uma carta de Elrond para que ele aceitasse a presença da arqueira. Não redigiu nenhuma palava ao elfo, limitou-se a ouvi-lo e vê-lo partir para seu descanso em silêncio.

Logo que ambos sairão, a elfa senta-se pesadamente em sua cama, estava sonolenta. Levanta um pouco sua blusa, afim de olhar seu ferimento e ver como estava, tenta não tocar nele, abaixa novamente sua blusa e deita-se, tentando colocar seus pensamentos em ordem. Como seria essa missão? Estava totalmente desnorteada, queria saber mais, porém o momento não deixava que soubesse mais coisas. Limitaria-se a descansar nesse momento.

Então fecha seus olhos, entregando-se ao sono profundo.
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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Sex Dez 14, 2012 1:43 pm

Lorië estava numa espécie de planície aberta, árida e sem vida, envolta por uma fumaça negra e sufocante. Não havia vegetação naquele lugar, nem animais... nada que demonstrasse haver vida ali. Ao longe, no horizonte, os olhos agudos da elfa puderam divisar a figura alta de grandes picos ameaçadoramente negros, que se erguiam em direção aos céus como dedos em alerta, avisando qualquer visitante incauto que estar naquele lugar representaria a própria morte. Fazia frio, um frio letal.

A brisa tinha cheiro de sujeira, fumaça e morte. As nuvens eram de um cinza-enegrecido e pareciam dispostas a soltar uma nevasca negra sobre a cabeça da elfa a qualquer momento. Não havia mais ninguém, Lorië estava só. Sozinha no vazio, no frio, no limiar da morte. Sentia como se dedos gelados a estivessem puxando para perto dos picos negros.

Ao apurar o olhar, a elfa percebe uma grande construção na base do pico mais alto. Era grande demais para ser apenas uma fortaleza, mas não chegava a atingir o tamanho de uma cidade. No máximo, uma vila macabra perdida nos confins da terra. De lá saía a fumaça negra que tornava todo o ambiente ao redor um grande cemitério. De lá saía o cheiro de morte e a brisa fria. De lá saía o sussurro de terror que agora soava na mente da elfa

Não há vida no vazio... somente morte.

Por fim, os olhos da elfa divisaram a pequena figura vestida de negro em uma das torres da cidade-fortaleza. O rosto encoberto com capuz não mostrava nada além de uma sombra, mas o sussurro saía dali, e a voz parecia suave como veludo, quase atraente, convidativa. O sussurro continuou por um tempo que pareceu eterno, até que a voz mudou, tornou-se ameaçadora, fria e letal, mas ainda aveludada. Era como se convidasse a elfa para sua morte. Até que um raio cortou o céu e um trovão soou alto, como se a própria terra se partisse em duas...


* * *

Lorië acordou de um salto, ainda com o sussurro ecoando na cabeça. Lá fora ventava muito, alguns raios cortavam o céu e um trovão soou, mas não parecia haver chuva, por enquanto. Lorië havia dormido bastante (para os padrões élficos), mas o dia nem havia nascido ainda. Contudo, uma figura escura entrava pela porta da tenda. A elfa se pegou esperando que uma voz aveludada lhe convidasse para a morte, mas só ouviu a voz grave e rústica do líder dos Guardiões:

- Espero que os pesadelos não a tenham perturbado demais. Estamos partindo... - e saiu para fora sem dizer mais nada.



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Última edição por Arvedui em Sab Dez 15, 2012 5:03 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]   Sex Dez 14, 2012 2:50 pm



Agonia. Era o que Lörie estava sentindo nesse exato momento. Era como se todos os seus sentidos ficassem voltados apenas para aquele pesadelo. Seria mesmo um pesadelo ou um presságio do que a esperava pela frente? Não tinha como saber, deveria se entregar novamente a missão, como sempre fazia, de corpo e alma, esperando que seus esforços possam servir de algum modo a seus semelhantes.

Logo que escuta a voz de Rúmil a chamando, leva as mãos a cabeça, baixando-a por alguns instantes, respirando profundamente. Estava na hora!

Sem perder muito tempo, levanta-se e faz sua higiene pessoal, lava seu rosto com cuidado, e por alguns instantes perde-se em seu sonho novamente, vendo o ser encoberto por trevas, sussurrando o seu convite mórbido, era quase que hipnótico, não conseguia parar de olhar para aquela figura, agora, ali na água, parecia ganhar vida e assombrar ainda mais os pensamentos da elfa.

A água batendo no rosto da elfa a acorda do pequeno transe, que logo percebe que tem que se apressar. Veste uma peça de roupa limpa, e por cima coloca a sua couraça que a protegia a tanto tempo, prende seu cabelo, veste a sua capa élfica que a protegeria de olhos despreparados à noite e por último, pega seu arco e aljava.

Sem mais delongas, Lörie se encaminha para fora, sob a chuva, o dia clareando ao longe, nos agraciando com seus raios avermelhados. A elfa estava disposta, como se nada tivesse ocorrido na noite anterior, como se não tivesse batalhado contra orcs, estava pronta para o seu destino.

Chegando lá fora, procura por Rúmil, ainda andando pelas sombras, tentando discreta o máximo que pudesse.

- Estou pronta.
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A Partida dos Imortais [Capítulo I - Heidi]
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